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“100 Noites de Desejo” e o Vazio de uma Adaptação Preguiçosa.

2 de junho de 2026

Existem produções que falham por falta de recursos e outras que desmoronam por pura pretensão, “100 Noites de Desejo” (*100 Nights of Hero*, 2026), dirigido e roteirizado por Julia Jackman, encaixa-se dolorosamente na segunda categoria.

Baseado na aclamada e rica *graphic novel* de Isabel Greenberg que usa a estrutura clássica de  “As Mil e Uma Noites” para debater opressão e o poder da narrativa , o longa-metragem estrangula o material de origem em prol de uma estética vazia, resultando em um dos piores exercícios cinematográficos do ano.

O enredo acompanha Cherry (Maika Monroe), uma noiva negligenciada pelo marido em um castelo isolado, que se torna alvo de uma aposta de sedução por um hóspede pretensioso (Nicholas Galitzine), para protegê-la, a criada Hero (Emma Corrin) assume o papel de Sherezade, adiando o desfecho trágico noite após noite através da contação de histórias.

No entanto, o que deveria ser uma celebração lúdica da resistência feminina transforma-se em um teste de resistência para a paciência do espectador.

O principal problema do filme reside na incapacidade da diretora em traduzir a linguagem visual dos quadrinhos para a tela grande, Jackman opta por uma encenação artificial, com cenários estáticos e cores excessivamente saturadas que tentam emular o teatro ou uma fábula estilizada.

Na prática, o resultado é visualmente cafona, em vez de imergir o público na magia dos contos, o visual artificial afasta quem assiste, fazendo com que o filme pareça um comercial de perfume de longa duração ou uma peça escolar de alto orçamento.

A direção perde completamente a mão no tom, flertando com uma cafonice visual que sabota qualquer tentativa de drama sério, o ritmo é arrastado e um desperdício de elenco.

Se a proposta é contar histórias para o tempo passar, o filme leva isso ao pé da letra da pior forma possível: o ritmo é letárgico, a estrutura episódica das “noites” fragmenta a narrativa principal, impedindo que o espectador crie qualquer vínculo com as protagonistas.

O elenco, que conta com nomes talentosos da nova geração como Emma Corrin, Maika Monroe e Nicholas Galitzine, além de participações de Richard E. Grant e da cantora Charli XCX, parece completamente perdido.

Emma Corrin entrega falas de forma engessada, sem o magnetismo necessário para uma contadora de histórias que disputa a vida, Nicholas Galitzine entrega um galã caricato e sem nuances, cujo charme de conquistador soa irritante e artificial.

A química entre o elenco principal é inexistente, tornando o suposto clima de tensão e desejo em um marasmo burocrático.

100 Noites de  Desejo tenta ser poético, entrega apenas tédio, ao tentar ser esteticamente inventivo, entrega artificialidade, é um filme que não funciona como romance, não convence como fantasia e falha miseravelmente como drama feminista, uma obra completamente vazia que transforma uma experiência de 91 minutos em puro arrependimento.

Nota: 0 / 10

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