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PCDF anuncia iniciativa para garantir acessibilidade e respeito a pessoas atípicas

18 de setembro de 2025

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) anunciou a criação de um posto de identificação especializado para pessoas atípicas, com previsão de funcionamento até o final deste ano. A iniciativa visa proporcionar um atendimento mais inclusivo e acolhedor, especialmente em processos como a emissão de documentos.

O novo posto será instalado na Delegacia da Criança e do Adolescente II, localizada em Ceilândia. Segundo a PCDF, o objetivo é oferecer um espaço com acolhimento diferenciado para pessoas atípicas, atendendo a necessidades específicas durante procedimentos como a emissão de documentos. Embora o atendimento especializado esteja concentrado nesse local, o serviço não substituirá o atendimento nas demais delegacias do Distrito Federal.

Desafios Sensoriais no Atendimento

A diretora do Instituto de Identificação, Vanessa Viegas, destacou que indivíduos autistas podem apresentar sensibilidades sensoriais que tornam certos procedimentos desconfortáveis. “Tem autistas, por exemplo, que se incomodam com uma luz forte. Então o flash da câmera pode causar um incômodo, até a luz verde para as digitais também pode incomodar”, explicou Viegas, enfatizando a importância de adaptar o ambiente para minimizar esses desconfortos.

Lançamento do Projeto de Inclusão

A criação do posto especializado faz parte do projeto “Apoio Integrado às Famílias Atípicas: Fortalecendo Pais e Cuidadores e Sensibilizando a Polícia Civil do Distrito Federal”, lançado em 17 de setembro. O projeto tem como objetivo promover uma cultura institucional mais inclusiva, acessível e empática, voltada ao acolhimento de pessoas atípicas e seus familiares, sensibilizando servidores e a população em geral.

Visão Institucional

Durante o lançamento do projeto “Apoio Integrado às Famílias Atípicas”, a diretora da Divisão Integrada de Atendimento à Mulher (DIAM), delegada Karen Langkammer, emocionou os presentes ao destacar que a proposta vai além de ajustes estruturais. “O modo como lidamos com essas pessoas pode definir se elas se sentirão protegidas ou ainda mais excluídas. E nós, como Polícia Civil, não podemos aceitar que alguém saia da nossa casa sentindo-se menor do que já chegou”, afirmou.

Karen também compartilhou experiências pessoais para dar dimensão ao peso invisível enfrentado por famílias atípicas. “Eu poderia falar hoje apenas como delegada, como servidora pública. Mas escolhi falar como mãe. Deixar um filho de apenas dez semanas de vida em uma maca, para uma cirurgia que dura horas, é uma imagem que nunca mais sai da memória. É uma marca que não desaparece”, disse, ressaltando que todos carregam dores e desafios invisíveis.

O discurso, marcado por emoção, reforçou a ideia de que a inclusão é uma questão de dignidade. “Porque inclusão não é gentileza. Inclusão é dignidade. É humanidade. É a essência do que significa servir ao próximo”, destacou. Ela lembrou ainda que muitos servidores também convivem com familiares atípicos: segundo pesquisa interna da PCDF, 74% declararam ter alguém nessas condições em casa.

O projeto prevê a adaptação de espaços físicos, capacitação de servidores e políticas institucionais voltadas também para o público interno da corporação. “Estamos falando de inúmeros grupos de trabalho, de entregas previstas a curto, médio e longo prazo, e de todo um esforço coletivo que envolve a participação de toda a instituição e de parceiros aqui presentes”, explicou Karen.

A delegada também trouxe reflexões sobre a carga emocional enfrentada por pais de filhos atípicos: “Eles carregam nos ombros o que ninguém vê: crises, julgamentos, culpa, burocracias, solidão, exaustão. Tudo isso… sorrindo. Porque não têm o ‘direito’ de desmoronar. E mesmo quando falam, poucos escutam. E quando choram, dizem que é exagero. Mas só eles sabem o que vivem.”

Diretora da Divisão Integrada de Atendimento à Mulher (DIAM), Karen Langkammer

O delegado-geral da PCDF, José Werick de Carvalho, reforçou o compromisso da corporação com a inclusão. “Essa iniciativa será fortalecida diuturnamente”, afirmou Carvalho. Ele acrescentou que o objetivo é que toda a corporação desenvolva uma cultura de acessibilidade e acolhimento às pessoas atípicas, estendendo essa abordagem a todas as delegacias, policlínicas e ao Instituto Médico Legal.

Delegado-geral da PCDF, José Werick de Carvalho

Apoio Governamental

O secretário da Pessoa com Deficiência do Distrito Federal, Willian Ferreira da Cunha, participou do lançamento do projeto e destacou a importância da iniciativa. “A principal dificuldade para uma acessibilidade completa é a falta de informação”, observou Cunha, enfatizando que ações como essa são essenciais para promover a inclusão efetiva. Ele também ressaltou que o processo de inclusão é coletivo e deve envolver toda a sociedade.

Secretário da Pessoa com Deficiência do Distrito Federal, Willian Ferreira da Cunha

O projeto conta com o apoio de diversas entidades e organizações, incluindo a Rede Internacional de Proteção à Vítima – Laço Branco Brasil, a Street Cadeirante Companhia de Dança, a Elev.a Vídeos, a BSB Áudio, Som, Luz e Imagem, além do patrocínio do Instituto Nadja Quadros. Essas parcerias são fundamentais para o sucesso da iniciativa, proporcionando recursos e expertise para a implementação das ações propostas.

A expectativa é que a criação do posto especializado em Ceilândia seja apenas o primeiro passo de uma série de ações que visam tornar os serviços da PCDF mais inclusivos. A longo prazo, planeja-se expandir esse modelo para outras regiões do Distrito Federal, garantindo que pessoas atípicas tenham acesso a um atendimento digno e respeitoso em todas as unidades da corporação.

A implementação do posto especializado na Delegacia da Criança e do Adolescente II representa um avanço significativo na promoção da inclusão e do respeito aos direitos das pessoas atípicas no Distrito Federal. Com o apoio de diversas entidades e o comprometimento da PCDF, espera-se que essa iniciativa sirva de modelo para outras instituições e inspire ações semelhantes em todo o país.

Vídeo institucional:

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