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Bolsa Família supera emprego com carteira assinada em 13 estados do Brasil, aponta levantamento.

14 de dezembro de 2025

Um levantamento com base em dados do Caged e do Ministério do Desenvolvimento Social, referentes a fevereiro de 2023, mostra que o Bolsa Família supera o número de empregos formais em 13 estados brasileiros. O cenário evidencia uma forte dependência de programas de transferência de renda em regiões onde o mercado de trabalho formal não consegue absorver a população economicamente ativa.

O caso mais emblemático é o do Maranhão, onde há 1.255.565 beneficiários do Bolsa Família contra 580.556 trabalhadores com carteira assinada, o que representa uma proporção de 2,16 beneficiários para cada emprego formal. Situação semelhante é registrada no Piauí, Pará, Paraíba, Acre, Alagoas, Sergipe, Bahia, Amazonas, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte.

Nos estados do Nordeste e do Norte, capitais como São Luís, Teresina, Belém, Salvador e Recife concentram grande parte dos beneficiários, especialmente em áreas periféricas. Nessas cidades, o calendário de pagamento do Bolsa Família tem impacto direto no comércio local e na dinâmica econômica, muitas vezes superior ao efeito da geração de empregos formais.

Especialistas apontam que o dado não indica excesso de assistência social, mas sim fragilidade estrutural do mercado de trabalho, marcada por baixa industrialização, informalidade elevada e salários pouco competitivos. Em muitos municípios, o valor do benefício somado a rendas informais acaba superando o salário oferecido em empregos formais, o que reduz o incentivo econômico à formalização.

Em contrapartida, estados como São Paulo, Santa Catarina, Paraná e o Distrito Federal apresentam cenário inverso. Em Santa Catarina, por exemplo, a proporção é de aproximadamente 10 trabalhadores com carteira assinada para cada beneficiário, refletindo maior dinamismo econômico e capacidade de geração de empregos.

Criado como uma política de combate à pobreza extrema, o Bolsa Família segue sendo fundamental para garantir o mínimo existencial de milhões de famílias. No entanto, os dados reforçam o desafio histórico do país: transformar o auxílio emergencial em porta de saída, por meio de educação, qualificação profissional e desenvolvimento regional sustentável.

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