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Adoçantes artificiais em excesso podem acelerar declínio cognitivo, aponta estudo da USP

4 de setembro de 2025

Um estudo inédito conduzido pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) sugere que o consumo elevado de adoçantes artificiais está associado ao aceleramento do declínio cognitivo em adultos. A pesquisa, publicada na revista científica Neurology, acompanhou 12.772 servidores públicos brasileiros com idades entre 35 e 74 anos ao longo de oito anos, avaliando o impacto do consumo de adoçantes como aspartame, sacarina, acessulfame-K, eritritol, xilitol, sorbitol e tagatose.

Os resultados mostram que indivíduos que consumiram maiores quantidades desses adoçantes apresentaram um declínio cognitivo 62% mais rápido do que aqueles com consumo baixo, o equivalente a um envelhecimento cerebral antecipado de 1,6 ano. A pesquisa destacou que os efeitos mais pronunciados ocorreram na memória e na fluência verbal, sendo a tagatose o único adoçante sem associação significativa com o declínio cognitivo.

A professora Claudia Kimie Suemoto, uma das autoras do estudo, ressalta que, embora os adoçantes de baixa ou nenhuma caloria sejam vistos como alternativas saudáveis ao açúcar, o consumo excessivo desses produtos pode trazer riscos à saúde cerebral. Ela reforça que a pesquisa não estabelece relação de causa e efeito, mas evidencia uma associação consistente entre alto consumo de adoçantes artificiais e perda cognitiva.

O estudo também identificou que pessoas com menos de 60 anos e indivíduos com diabetes apresentaram declínios mais rápidos, especialmente na fluência verbal e na cognição geral, quando comparadas aos participantes que consumiram quantidades menores de adoçantes.

Embora os mecanismos exatos não tenham sido totalmente elucidativos, pesquisas anteriores sugerem que os adoçantes artificiais podem alterar a microbiota intestinal e induzir processos inflamatórios no cérebro, fatores potencialmente relacionados ao declínio cognitivo.

Os pesquisadores alertam para a necessidade de moderação no uso de adoçantes artificiais e destacam a importância de escolhas alimentares conscientes como estratégia para preservar a saúde cerebral ao longo da vida.

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