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GDF inaugura biofábrica de mosquitos Wolbachia no combate à dengue

9 de setembro de 2025

O Governo do Distrito Federal inaugurou uma biofábrica dedicada à criação de mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, método inovador que reduz a capacidade de transmissão de arboviroses como dengue, zika, chikungunya e febre amarela. A iniciativa coloca o DF no mapa das cidades que investem em biotecnologia como arma contra epidemias sazonais.

A estrutura, sob responsabilidade da Secretaria de Saúde (SES-DF), vai produzir os chamados “wolbitos”, mosquitos que, ao se reproduzirem, transmitem a bactéria para a nova geração. Como resultado, os insetos deixam de ser vetores dos vírus que causam as doenças.

O processo é controlado em laboratório: os ovos chegam encapsulados, são mantidos em recipientes com água e nutrientes, em condições ideais de temperatura e umidade, até completarem o ciclo de desenvolvimento. Após o período de 7 a 14 dias, os mosquitos adultos são liberados no ambiente para atuar como barreira natural contra os vírus.

De acordo com o subsecretário de Vigilância à Saúde, Fabiano dos Anjos Martins, a tecnologia é segura e não oferece risco à população. Ele explica que a bactéria Wolbachia é inofensiva e atua impedindo que o vírus da dengue se multiplique no organismo do mosquito.

A iniciativa segue o modelo aplicado em outras regiões do país. Em julho, Curitiba recebeu a maior biofábrica de mosquitos com Wolbachia do mundo, com capacidade para produzir até 100 milhões de ovos por semana. O Ministério da Saúde considera a tecnologia uma das principais frentes de combate às arboviroses.

Experiências já demonstraram resultados expressivos. Em Niterói (RJ), por exemplo, o índice de casos de dengue caiu em até 69% após a liberação de mosquitos com Wolbachia. O mesmo modelo é agora replicado em Brasília, com expectativa de impacto direto nos surtos recorrentes da doença.

Apesar do avanço, o governo ressalta que a estratégia precisa ser acompanhada pelo engajamento da população. A SES-DF reforça a importância de eliminar focos de água parada, uma vez que os mosquitos — mesmo com Wolbachia — ainda se reproduzem nos mesmos criadouros.

Com a biofábrica em funcionamento, o DF passa a contar com um recurso estratégico no enfrentamento das arboviroses. A expectativa é que, a partir das primeiras liberações, os mosquitos ajudem a reduzir os índices de transmissão e consolidem o modelo de controle biológico como política pública permanente.

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