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“ HAMNET” – O Poema Visual de Chloé Zhao que Transforma o Luto na Maior Obra de Shakespeare

9 de janeiro de 2026

Esqueça o bardo de peruca e pena na mão declamando em palcos luxuosos, em Hamnet, o novo e avassalador longa-metragem de Chloé Zhao, William Shakespeare (interpretado com uma vulnerabilidade cortante por Paul Mescal) é um homem comum, um pai ausente e um artista em crise, mas a verdadeira alma desta história não pertence ao gênio das palavras, e sim a Agnes (Jessie Buckley), a mulher que a história quase esqueceu, mas que o cinema acaba de imortalizar.

Baseado no romance de Maggie O’Farrell, o filme nos transporta para a Inglaterra rural do século XVI, a trama gira em torno da morte prematura de Hamnet, o filho de 11 anos do casal, vítima da peste bubônica, no entanto, o filme foge do óbvio, em vez de um drama histórico convencional e engomadinho, entrega uma experiência melancólica , onde o vento nas árvores e o toque das mãos têm tanto peso quanto os diálogos.

Hamnet não é apenas sobre a morte de um filho; é sobre como o amor sobrevive ao impossível e como a dor de uma mãe se tornou o combustível para a peça mais famosa da humanidade: Hamlet.

A química entre Paul Mescal e Jessie Buckley é magnética. Mescal entrega um Shakespeare humano, fugindo de caricaturas históricas, enquanto Buckley é o coração pulsante do filme, mesmo sendo uma personagem antipática, sua Agnes é uma figura mística, conectada à natureza e devastada por uma perda que ela mesma, com seus instintos aguçados, sentiu que estava por vir.

Cheio de elogios, mas cabem críticas também, o filme tem a característica da diretora de uma profunda introspecção, então eu encontrei  uma certa dificuldade que ele terá de “se vender”, duas horas e cinco minutos de um filme severamente lento, fazendo com que ele se torne aqueles tipos de filme que você tem que querer assisti-lo ao invés de olhá-lo como opção avulsa.

A direção de arte aproveita a luz natural de forma quase sagrada, criando quadros que lembram pinturas a óleo, enquanto a trilha sonora minimalista garante que não haja um olho seco na sala de cinema.

Hamnet é um forte candidato a dominar a temporada de premiações de 2026, é um filme sobre o “vazio” que fica quando alguém parte e a beleza terrível de como tentamos preencher esse espaços, Hamnet a consagra a diretora como uma cineasta capaz de filmar o invisível: o peso de uma alma em luto.

Prepare-se para uma jornada que é, ao mesmo tempo, dolorosa e profundamente redentora. Shakespeare deu o nome de seu filho à sua obra-prima; Chloé Zhao deu a ele uma vida que nunca mais esqueceremos.

Nota 4/5

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