A Procuradoria-Geral da República (PGR) admitiu que existe risco de fuga do ex-presidente Jair Bolsonaro, alvo de diferentes frentes de investigação. No entanto, em parecer encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o órgão rejeitou a possibilidade de manter agentes da Polícia Federal (PF) dentro da residência do ex-mandatário, localizada em Brasília.
Medidas alternativas em discussão
De acordo com o parecer, a PGR avalia que a instalação de policiais dentro da casa seria invasiva e violaria garantias constitucionais. Por isso, foram sugeridas medidas alternativas, como monitoramento eletrônico e reforço da segurança no entorno do condomínio. Essas ações, na avaliação do órgão, são suficientes para evitar qualquer tentativa de fuga.

Contexto das investigações
Bolsonaro é alvo de inquéritos no STF que investigam sua participação em uma suposta trama para minar o processo eleitoral e articular um golpe de Estado. Além disso, o ex-presidente responde por casos envolvendo presentes oficiais de alto valor recebidos durante o mandato, tema que gerou apreensões de joias pela PF.
Operações recentes ampliam pressão
A Polícia Federal deflagrou operações que atingiram aliados próximos de Bolsonaro, incluindo militares e ex-ministros de sua gestão. Essas ações reforçaram a percepção de risco de obstrução das investigações e motivaram pedidos de medidas mais duras por parte da oposição e de entidades da sociedade civil.
Argumento jurídico da PGR

Para a Procuradoria, embora haja elementos que indiquem risco, a vigilância interna dentro da residência extrapolaria limites constitucionais. O órgão destacou que a lei prevê proporcionalidade na aplicação de medidas cautelares e que a presença física de policiais no lar de Bolsonaro seria desnecessária.
Possíveis medidas
Entre as alternativas em estudo, estão a adoção de tornozeleira eletrônica, a retenção de passaportes e o monitoramento reforçado de movimentações do ex-presidente. Tais medidas, segundo a PGR, equilibrariam a necessidade de evitar fuga com a preservação de direitos fundamentais.
Repercussão política
A posição da PGR gerou debates no Congresso e entre analistas políticos. Parlamentares da oposição acusaram o órgão de ser “leniente”, enquanto críticos de Bolsonaro consideram que a rejeição da vigilância interna evita precedentes perigosos de invasão de domicílio.
STF será decisivo

O Supremo Tribunal Federal ainda vai avaliar o parecer e decidir se acolhe a sugestão da PGR. A expectativa é de que o tribunal determine medidas de monitoramento, mas evite soluções consideradas invasivas. Esse julgamento deve se tornar mais um marco na relação entre Bolsonaro e a Justiça.
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