ÚLTIMAS

como alguns animais usam cloroplastos roubados para aproveitar a luz

28 de novembro de 2025

Algumas lesmas-marinhas surpreendem ao aproveitar a energia do sol: ao se alimentar de certas algas, elas retêm os cloroplastos as estruturas responsáveis pela fotossíntese e mantêm esses “componentes” ativos dentro do próprio corpo por períodos que variam de dias a meses. Essa adaptação é rara entre animais e tem sido tema de estudos e reportagens recentes que explicam tanto o mecanismo quanto suas limitações.

foto, As sacoglossa, como esta Elysia ornata, sequestram os cloroplastos das algas para processar energia da luz solar

O processo funciona assim: a lesma ingere a alga e, em vez de digerir todos os cloroplastos, ela os incorpora às suas células, principalmente na região do intestino, onde continuam a capturar luz e produzir compostos orgânicos. Pesquisas mostram que, em espécies bem estudadas, esses cloroplastos podem funcionar tempo suficiente para complementar a nutrição do animal, especialmente em períodos de escassez de alimento.

Entre as lesmas mais divulgadas pela imprensa estão as populares “ovelhas-folha” e outros pequenos moluscos verdes que chamam atenção por sua aparência e comportamento. Coberturas jornalísticas e matérias de divulgação científica publicadas em 2024–2025 reforçam que o fenômeno é real, embora restrito a poucas linhagens e dependente do tipo de alga consumida.

É importante destacar os limites dessa “fotossíntese animal”: as lesmas não produzem cloroplastos por conta própria e precisam repô-los periodicamente; a eficiência do rendimento fotossintético é menor que a de plantas maduras; e a associação nem sempre garante autossuficiência total muitas espécies ainda precisam se alimentar normalmente. Por isso, cientistas descrevem esse comportamento como um suplemento energético uma gambiarra evolutiva e não como uma transformação plena em organismo fotossintético.

A Elysia chlorotica é um exemplo emblemático de animal fotossintético

O interesse científico permanece alto: estudos recentes investigam por quanto tempo os cloroplastos permanecem funcionais, quais espécies conseguem reter melhor esse material e quais benefícios reprodutivos e energéticos a fotossíntese roubada traz ao animal. Para o público geral, a mensagem principal é clara e curiosa: embora a fotossíntese seja tipicamente associada a plantas e algas, há exceções notáveis no reino animal pequenas lesmas que, por um truque evolutivo, usam a luz do sol para ganhar energia extra. 

Rolar para cima