A estabilidade econômica dos Estados Unidos enfrenta um momento de tensão institucional sem precedentes neste início de 2026. Três ex-presidentes do Federal Reserve (Fed) — Janet Yellen, Ben Bernanke e Alan Greenspan emitiram uma nota conjunta condenando a recente investigação criminal aberta contra o atual chefe da instituição, Jerome Powell. O grupo classifica a ação do Departamento de Justiça como um ataque direto à independência do banco central, alertando que a interferência política pode desestabilizar os mercados globais e comprometer o controle da inflação no longo prazo.

O inquérito, que se tornou público neste domingo (11), foca oficialmente em supostas irregularidades e má gestão de custos na reforma da sede do Fed em Washington. Contudo, em uma declaração em vídeo considerada histórica, Jerome Powell rebateu as acusações, afirmando que o processo é um “pretexto” utilizado pela administração de Donald Trump. Segundo Powell, a pressão jurídica surge como uma retaliação direta por ele não ter cedido às exigências do governo para realizar cortes agressivos nas taxas de juros, mantendo as decisões baseadas apenas em dados econômicos.
Enquanto a Casa Branca nega qualquer envolvimento direto na investigação, o presidente Donald Trump reiterou publicamente suas críticas à postura de Powell, chamando-o de ineficiente tanto na condução da política monetária quanto na supervisão de obras. Especialistas apontam que a disputa ocorre em um cenário de transição, já que o mandato de Powell se encerra em maio de 2026. A escolha de um sucessor com nomes como Kevin Warsh e Kevin Hassett no topo da lista tornou-se o centro de um debate sobre se o próximo líder do Fed será um técnico independente ou um aliado político do Executivo.
A reação ao caso ultrapassou as fronteiras do setor financeiro e atingiu o Congresso Americano. Senadores de ambos os partidos expressaram preocupação com o uso do sistema judiciário para influenciar decisões monetárias. O senador republicano Thom Tillis, por exemplo, declarou que se oporá a qualquer nova nomeação para o comando do Fed até que a legitimidade da investigação contra Powell seja esclarecida, sinalizando uma possível paralisia no processo de sucessão caso a crise de confiança persista