Os ânimos se exaltaram durante a reunião da CPMI do INSS nesta quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026, resultando em um intenso bate-boca entre os deputados Mauricio Marcon (PL-RS) e Rogério Correia (PT-MG). A confusão começou quando Marcon questionou dados apresentados pela base governista sobre a fila de benefícios, classificando as informações como “estatísticas criativas” e “fake news” destinadas a mascarar a crise na autarquia. A reação foi imediata, com Correia interrompendo a fala do colega para acusá-lo de desinformar a população e de agir com oportunismo político para travar os trabalhos da comissão de inquérito.

O confronto escalou rapidamente quando o deputado Mauricio Marcon, visivelmente irritado com as interrupções, chamou Rogério Correia de “hiena”, alegando que o parlamentar mineiro apenas “ardia em risadas” diante de problemas graves enquanto tentava intimidar a oposição com gritos. Correia respondeu à altura, chamando o oposicionista de “mentiroso contumaz” e exigindo que o presidente da comissão tomasse providências contra o uso de termos ofensivos no plenário. A discussão paralisou os depoimentos de técnicos do Ministério da Previdência por cerca de vinte minutos, exigindo a intervenção direta da mesa diretora para evitar uma agressão física.
A troca de insultos reflete a polarização profunda que domina a CPMI do INSS em 2026, onde o foco técnico sobre os atrasos nos pagamentos e possíveis fraudes tem sido frequentemente substituído por palanque eleitoral. Enquanto o bloco de oposição tenta vincular a má gestão das filas ao atual governo, os governistas acusam os parlamentares do PL de utilizarem a comissão para criar cortes para redes sociais, distorcendo fatos e atacando a honra dos adversários. O uso do termo “hiena” foi duramente criticado por parlamentares de centro, que veem na degradação do vocabulário parlamentar um prejuízo à imagem do Congresso Nacional.
Após o incidente, o presidente da CPMI ameaçou suspender a sessão e levar os nomes de ambos os deputados ao Conselho de Ética caso a postura de “ataques pessoais e ofensas animalescas” persistisse. Rogério Correia afirmou que não aceitaria ser silenciado por quem “fabrica notícias falsas diariamente”, enquanto Marcon manteve a postura crítica, reiterando que a “verdade dói em quem vive de narrativa”. A sessão foi retomada sob forte tensão, com a segurança da Câmara dos Deputados reforçando a presença no plenário para garantir que os parlamentares mantivessem o distanciamento necessário durante as próximas oitivas.
O episódio de hoje é apenas mais um capítulo de uma série de atritos que têm marcado a investigação sobre o sistema previdenciário brasileiro desde o início do ano. Especialistas políticos apontam que, com a proximidade das eleições de outubro, as comissões de inquérito tendem a se tornar campos de batalha retóricos, onde a busca por soluções administrativas para o INSS acaba ficando em segundo plano. O desfecho da reunião desta quinta-feira reforça a percepção de que a CPMI terá dificuldades para produzir um relatório técnico isento, dada a incapacidade dos membros em manter o decoro e o diálogo mínimo necessário para a condução dos trabalhos.