A cinebiografia “Asa Branca – A Voz da Arena”, dirigida por Guga Sander, mergulha na trajetória turbulenta e meteórica de Waldemar Ruy dos Santos, o icônico locutor de rodeios conhecido como Asa Branca, interpretado por Felipe Simas, o filme celebra uma lenda cultural e folclórica do país, mas não se esquiva de expor os dramas e excessos que marcaram sua vida.
O longa-metragem traça a jornada de Asa Branca, desde sua origem humilde em Turiúba, São Paulo, passando pelo sonho inicial de ser peão e a virada inesperada para a locução após um acidente, é nesse ponto que a narrativa ganha força ao mostrar como ele revolucionou o espetáculo do rodeio na década de 1990, introduzindo elementos de showbiz como microfone sem fio, permitindo mobilidade e interação inéditas, a inserção de rock pesado, fogos de artifício e entradas triunfais e até entrada de helicóptero, essa reinvenção o elevou ao status de celebridade nacional, transformando festas do interior em grandes espetáculos de massa.
No entanto, o filme não é apenas uma ode ao sucesso, se aprofunda nas consequências de uma vida levada ao extremo, os excessos com álcool e drogas, que culminaram em sua queda, são abordados, trazendo uma dimensão humana e trágica à figura pública.

Apesar da intensidade do drama e da celebração de uma cultura rica, o desfecho da narrativa, que inclui o reencontro com um amor de infância (interpretado por Lara Tremouroux) e a busca por redenção, soou apressado demais.
O filme é, no geral, um bom entretenimento e traz para a grande tela a celebração de uma cultura, até então distante para parte do público
Com produção bem realizada e um retrato fiel, baseado em fatos reais, o filme é visto como uma montanha-russa de emoções para o espectador, a atuação de Felipe Simas é crucial para dar corpo à complexidade de Asa Branca, já que a voz lhe falhou e muito, algo imperdoável na era da inteligência artificial, oscila entre o carisma explosivo na arena e a fragilidade de sua vida pessoal.

A obra se estabelece como uma oportunidade de conhecer não só a vida de um ícone, mas também de entender melhor a cultura do rodeio e as consequências de uma vida sem freios.
É um drama biográfico que cumpre a função de homenagear e, ao mesmo tempo, refletir sobre a fama e seus custos.
Nota 4/5