A nova trilogia de Os Estranhos prometeu expandir o universo de terror iniciado em 2008, mas o Capítulo 2 se estabelece menos como uma progressão e mais como um episódio de sobrevivência esticado e muitas vezes sem foco.
Ao invés do claustrofóbico e aterrorizante, o que consagrou o original, a sequência dirigida por Renny Harlin (que filmou os três capítulos simultaneamente) aposta em um thriller de sobrevivência que, embora fisicamente mais brutal, dilui a essência do medo aleatório da franquia.
O filme retoma a história de Maya (Madelaine Petsch), a única sobrevivente do massacre do primeiro capítulo, que é agora caçada impiedosamente pelos mascarados Dollface, Pin-Up Girl e Scarecrow em uma perseguição que se estende para fora da cabana e pela misteriosa e desolada cidade de Venus.
O grande trunfo do Os Estranhos original era o terror sem motivo, a sensação de que a violência podia surgir do nada, a qualquer um, quando a máscara caía e o assassino respondia a pergunta “Por que você está fazendo isso?” com um simples “Porque você estava em casa”, o filme atingia um pico de horror existencial.

Infelizmente, é neste ponto que Capítulo 2 tropeça gravemente, para satisfazer (supostamente) o público que clama por mais “gore”, a sequência tenta “viver da fama” dos Estranhos original , introduzindo flashbacks que sugerem um passado e motivações para os assassinos.
Essa tentativa de criar uma mitologia ou dar um “início das trevas” para as figuras mascaradas é totalmente sem carisma, transformando-os de espectros do caos em sociopatas com uma história justificável , enfraquecendo o que os tornava assustadores.
Apesar dos deslizes no roteiro, o filme consegue entregar momentos de tensão física graças à performance de Madelaine Petsch, que se joga no papel da vítima traumatizada e em fuga.
O Diretor Harlin é um artesão competente e coreografa algumas sequências de ação e perseguição mais abertas como um confronto em uma ambulância com um dinamismo que faltou em alguns momentos do primeiro filme da trilogia, o foco no gênero de sobrevivência leva Maya a se ferir, se costurar e se esconder, o que oferece uma narrativa mais visceral e com um ritmo mais acelerado.
No entanto, o filme rapidamente cai em um ciclo de repetição, aprotagonista escapa, é capturada, foge novamente, e o jogo de gato e rato se torna entorpecente e carente de lógica interna, contando mais com a conveniência do roteiro (e algumas decisões questionáveis da personagem principal) do que com a inteligência. O ambiente de hospital e a floresta, embora diferentes da cabana, não conseguem manter a mesma pressão psicológica.
Os Estranhos – Capítulo 2 é um capítulo intermediário previsível que sofre da “Síndrome de O Hobbit”: uma história que poderia ser contada em um único filme é esticada desnecessariamente. Embora Madelaine Petsch demonstre um esforço louvável e haja algumas cenas de gore e sustos pontuais, a decisão de explicar o inexplicável e a natureza repetitiva e episódica da perseguição enfraquecem a fundação do que tornava Os Estranhos um filme de terror eficaz.
No final, o medo que a trilogia está criando não é o da violência aleatória, mas o de ter que esperar pelo Capítulo 3 para ver se o esforço valeu a pena.
Nota: 2/5