Em uma movimentação estratégica nesta segunda-feira, 26 de janeiro de 2026, o governo de Donald Trump anunciou um aporte de US$ 1,6 bilhão na companhia USA Rare Earth. O acordo transforma o Estado americano em um dos principais acionistas da empresa, com a aquisição de uma participação de 10%. A iniciativa utiliza recursos do Departamento de Comércio e do Fundo CHIPS, visando reduzir a dependência histórica das importações vindas da China, que atualmente domina o processamento global desses elementos essenciais para a indústria moderna.

O montante investido será destinado principalmente à aceleração do projeto Round Top, localizado no Texas, e à finalização de uma fábrica de ímãs de alta tecnologia em Oklahoma, prevista para entrar em operação ainda este ano. Esses minerais são fundamentais para a fabricação de componentes de alta precisão, como processadores avançados, motores de veículos elétricos e sistemas de defesa nacional. Ao entrar diretamente no capital da empresa, Washington sinaliza que a segurança da cadeia de suprimentos de minerais críticos agora é tratada como uma questão de soberania nacional e segurança do Estado.
A operação financeira combina cerca de US$ 277 milhões em financiamento federal direto com um empréstimo de US$ 1,3 bilhão. Além do aporte governamental, a USA Rare Earth captou outros US$ 1,5 bilhão junto ao setor privado, totalizando um pacote de investimentos de US$ 3,1 bilhões. Essa estrutura de financiamento híbrido unindo capital público e privado tem se tornado o modelo padrão da atual administração para revitalizar o setor de mineração e manufatura pesada dentro do território americano.
Este investimento não é um fato isolado, mas sim a continuação de uma política de “capitalismo de Estado” iniciada por Trump em 2025. No último ano, o governo já havia assumido participações em outras gigantes do setor, como a MP Materials e a Lithium Americas. A estratégia busca criar um ecossistema doméstico completo, que vai desde a extração do minério bruto no solo até a produção final de ímãs e chips, garantindo que as empresas americanas tenham acesso prioritário a matérias-primas em momentos de tensões comerciais globais.
O impacto no mercado financeiro foi imediato, com as ações da mineradora registrando forte alta nas bolsas de valores logo após o anúncio. Especialistas acreditam que a entrada do governo como sócio mitiga os riscos de longo prazo para investidores privados e acelera cronogramas de obras que antes levariam décadas para serem concluídas. Com essa jogada, os Estados Unidos dão um passo decisivo para tentar retomar a liderança na produção de tecnologias de ponta, preparando o terreno para uma nova era de competição industrial no cenário internacional.