Com a precisão de um laço certeiro, o drama “O Último Rodeio”, dirigido por Jon Avnet, entrega uma história familiar de redenção e superação, ancorada na figura do cowboy aposentado Joe Wainwright, vivido com notável profundidade por Neal McDonough
Para custear o tratamento médico de seu neto, Joe é forçado a abandonar a tranquilidade da fazenda e retornar à arena de montaria em touros, onde reside não apenas o perigo físico, mas também os fantasmas de seu passado.
O filme, produzido pela Angel Studios (conhecida por narrativas de forte apelo inspiracional), acerta ao equilibrar a intensidade do esporte com a fragilidade das relações humanas.
A trama não foge muito à fórmula clássica do “retorno do herói”, que o público já viu em diversas roupagens esportivas, Joe Wainwright, um ícone lendário, carrega a dor da perda da esposa e um trauma que o afastou de sua filha, Sally, a doença do neto, Cody, atua como o catalisador dramático, obrigando Joe a enfrentar o esporte que quase o destruiu e, em um sentido mais profundo, a família que ele indiretamente abandonou.
A grande força do longa reside nas performances. Neal McDonough, frequentemente escalado como vilão, brilha aqui como um protagonista vulnerável e determinado, transmitindo com credibilidade a dor de um homem mais velho duelando contra jovens e contra o próprio corpo, a dinâmica com Mykelti Williamson, que interpreta seu antigo amigo e parceiro Charlie, injeta uma bem-vinda dose de humor e companheirismo, servindo como a âncora para os temas de fé e perdão que a narrativa explora, Sarah Jones também se destaca ao dar humanidade e justificativa ao ressentimento de Sally.
Tecnicamente, o diretor Jon Avnet (de “Tomates Verdes Fritos”) imprime uma direção competente, especialmente nas sequências de rodeio, embora não explore a cultura do bull riding com a profundidade, ele consegue capturar a adrenalina e o risco inerente à permanência de oito segundos sobre um touro.
Os temas centrais de redenção, trauma geracional e fé são apresentados de forma clara, porém, na maior parte do tempo, sutil para uma produção com viés religiosos fé é um elemento de conforto e cultura no Texas, mais do que um dogma imposto, o que torna a mensagem mais universal e palatável.
“O Último Rodeio” é um drama honesto e caloroso que, apesar de cair em clichês de gênero, se sustenta na excelência de seu elenco e na universalidade de sua mensagem.
Não é um filme que reinventa o drama esportivo, mas é uma história bem contada sobre a importância da família e a coragem de confrontar os próprios demônios, é uma recomendação certa para o público que aprecia um drama edificante.
Um filme competente e emocionante, embora previsível. Vale o ingresso pela performance de Neal McDonough e pela intensidade das cenas de rodeio.
Nota 4/5