James Cameron é, indiscutivelmente, um mestre da técnica, no entanto, em Avatar: Fogo e Cinzas, o terceiro capítulo da saga em Pandora, o diretor parece ter se tornado refém do próprio perfeccionismo visual.
O filme, que prometia expandir os horizontes culturais dos Na’vi com a introdução do “Povo das Cinzas”, entrega um deslumbre estético inegável, mas falha em oferecer uma substância que justifique suas três horas e dezenovede duração.
O visual não sustenta o vazio, desde os primeiros minutos, fica claro que a tecnologia de captura de movimento e a renderização dos ambientes atingiram um patamar nunca antes visto, as regiões vulcânicas de Pandora são visualmente impactantes, com um contraste que foge do azul e verde habituais, porém persiste em mais do mesmo.

A estrutura do roteiro segue “o café requentado”, pela terceira vez, o ciclo de “ameaça humana, descoberta de nova tribo e confronto final” que fez do primeiro uma película inédita, porém transformou todos os outros filmes em uma cópia no papel carbono.

O conflito com os humanos continua unidimensional, perdendo a oportunidade de aprofundar as nuances políticas que o novo povo, supostamente mais agressivo, poderia trazer, o segundo ato se arrasta em exposições contemplativas que, embora belas, pouco movem a trama central.
Jake Sully (Sam Worthington) e Neytiri (Zoe Saldaña) parecem estar no “piloto automático”, a tentativa de passar o bastão para a geração mais jovem focando em Lo’ak e Kiri ainda não possui o peso emocional necessário para carregar a franquia.

O “Povo das Cinzas”, liderado pela personagem Varang (Oona Chaplin), é apresentado como uma ameaça interna intrigante, mas acaba sendo subutilizado como um mero obstáculo físico, em vez de um contraponto ideológico complexo, pra quem esperava que essa ameaça oferecesse algo inédito, foi apenas um complemento a ameaça humana que sempre existiu na trilogia.

“Avatar – Fogo e Cinzas” é um filme pífio que se sustenta apenas pela escala monumental de sua produção, o diretor James Cameron já ter “jogado a toalha” de desistência de outros filmes da franquia caso Avatar: Fogo e Cinzas fracasse nas bilheterias já dava o tom de que esse filme não seria algo inédito, tampouco extraordinário.
Para o espectador casual, é um deleite visual; para quem busca uma história memorável, é um eco pálido do impacto que o primeiro filme causou em 2009.
Nota 0/5