Após quase uma década como o maior produto da casa e fenômeno cultural da Netflix, Stranger Things chegou ao seu aguardado ato final, o episódio de encerramento da 5ª temporada não é apenas uma conclusão de trama, é um evento cinematográfico que tenta e na maioria das vezes consegue amarrar as pontas soltas de um universo que se expandiu muito além do porão de Mike Wheeler em 1983.
Os irmãos Duffer não economizaram no orçamento, o “Mundo Invertido” finalmente transbordou para a realidade, e a estética de Hawkins sob o domínio de Vecna é um deleite para os fãs de horror oitentista, a fotografia abandona os tons vibrantes das temporadas anteriores em favor de um amarelo opressor e vermelho sangue, pontuado por efeitos visuais que rivalizam com grandes produções do cinema.
A batalha final é coreografada com uma precisão que exalta o caos em larga escala finalmente enterra os panfletários conflitos psicológicos íntimos do execrável volume 2, Eleven (Millie Bobby Brown) atinge o ápice de sua jornada, mas o roteiro acerta ao não transformá-la em uma solução mágica para todos os problemas; o esforço é, como sempre foi, coletivo.

O grande trunfo deste final não são os monstros, mas o fechamento dos arcos de personagem, ver o grupo original agora adultos aos olhos do público enfrentando seus traumas simboliza o fim da infância de uma geração, Will Byers finalmente encontra sua voz, transformando sua conexão com o vilão em uma força de resistência emocionante, Dustin e Steve entregam os momentos de maior carga dramática.

Nem tudo é perfeito, a “proteção de roteiro” de alguns personagens principais pode frustrar aqueles que esperavam um desfecho mais implacável dado o tamanho da ameaça.

O episódio final de Stranger Things é uma carta de amor aos fãs, não foge da nostalgia que o consagrou, mas a utiliza para selar um destino satisfatório, é um encerramento que deixa um vazio, não por falta de conclusão, mas porque Hawkins se tornou um lugar onde todos nós, de alguma forma, também crescemos.
Nota: 4.5/5