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Articulação para “Penduricalhos” na Câmara Sofre Derrota e Alcance é Drasticamente Reduzido

6 de fevereiro de 2026

Uma manobra articulada por lideranças partidárias para estender benefícios financeiros extras, conhecidos como “penduricalhos”, a cerca de 580 servidores da Câmara dos Deputados sofreu um revés significativo nesta sexta-feira (6 de fevereiro de 2026). A proposta inicial visava ampliar gratificações de representação e bônus de produtividade para uma ampla gama de funções comissionadas e de confiança. No entanto, após uma forte resistência de uma coalizão formada por três partidos  Novo, PSOL e a ala dissidente do PL , a articulação foi desidratada durante a reunião da Mesa Diretora, e o benefício acabou restrito a apenas 72 funcionários de carreira que ocupam cargos de chefia técnica imediata.

Plenário da Câmara dos Deputados • 01/02/2025REUTERS/Mateus Bonomi

O plano original previa um impacto orçamentário considerável, utilizando brechas em verbas de custeio administrativo para elevar os salários líquidos de assessores de lideranças e secretarias parlamentares. Os defensores da medida argumentavam que os valores serviriam para “corrigir distorções históricas” e recompensar o aumento da carga horária durante as comissões especiais. Contudo, os parlamentares contrários ao projeto classificaram a tentativa como um “trem da alegria” em um momento de arrocho fiscal e pressão popular por austeridade nos gastos do Legislativo, forçando um recuo estratégico dos proponentes da medida.

A resistência foi liderada pelo partido Novo, que ameaçou levar o caso ao Ministério Público Federal e ao Tribunal de Contas da União caso a gratificação fosse aprovada sem critérios técnicos claros de meritocracia. O PSOL, por sua vez, criticou a falta de transparência na seleção dos beneficiários, pontuando que a medida privilegiava o “alto clero” da burocracia parlamentar em detrimento dos servidores de níveis auxiliares. Diante do risco de uma derrota em plenário e do desgaste político nas redes sociais, os líderes partidários aceitaram um acordo para limitar o alcance do benefício apenas aos servidores efetivos que desempenham funções estritamente técnicas e de gestão de dados orçamentários.

Com a redução do alcance para apenas 72 servidores, o impacto nas contas da Câmara caiu em mais de 80% em relação à projeção inicial. A decisão final estabeleceu que os contemplados deverão apresentar relatórios trimestrais de metas para manter o adicional, uma exigência imposta pelo grupo de oposição à proposta original. Parlamentares que apoiavam a extensão total do benefício lamentaram o resultado, alegando que a “demonização” de gratificações administrativas prejudica a retenção de talentos qualificados no serviço público parlamentar, mas reconheceram que a temperatura política atual não permitia uma vitória mais ampla.

Este episódio marca mais um capítulo da queda de braço entre o pragmatismo da gestão política e as demandas por transparência administrativa que têm dominado o Congresso em 2026. A vitória parcial dos partidos de oposição serve como um alerta para a Mesa Diretora sobre a dificuldade de aprovar aumentos indiretos sem ampla discussão pública. O foco agora se volta para a divulgação da lista detalhada dos 72 servidores contemplados, que deverá ser publicada no Portal da Transparência nos próximos dias para evitar novas contestações judiciais sobre a impessoalidade da escolha.

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