O etanol de milho deixou de ser um experimento regional e hoje movimenta investimentos bilionários em todo o país, especialmente no Centro-Oeste. Grandes grupos do agronegócio e companhias sucroenergéticas estão ampliando plantas industriais, modernizando estruturas já existentes e anunciando novos projetos para atender à crescente demanda por biocombustíveis.

Em 2017, o Brasil produzia cerca de 500 milhões de litros de etanol de milho. Sete anos depois, o volume já ultrapassa os 7 bilhões de litros anuais, com previsão da União Nacional do Etanol de Milho (Unem) de alcançar 20 bilhões de litros até 2030. Isso significa que, em menos de uma década, o segmento pode responder por quase metade de todo o etanol consumido internamente.
Os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás concentram a maioria das usinas, aproveitando a proximidade com áreas de alta produção do grão. Além de reduzir custos logísticos, a verticalização garante maior rentabilidade, já que o milho processado gera não apenas combustível, mas também DDG (farelo rico em proteína para ração animal) e óleo de milho, ambos com forte demanda no mercado.

O modelo de negócio, considerado mais estável que o da cana-de-açúcar, atrai fundos internacionais e gigantes do setor agrícola, que enxergam no etanol de milho uma oportunidade de diversificação. Além disso, a alta do consumo de combustíveis renováveis, impulsionada pelo programa RenovaBio, vem garantindo previsibilidade e crédito de descarbonização (CBios), fortalecendo o setor.
Peso ambiental e estratégico
O etanol de milho é apresentado como alternativa sustentável, alinhada às metas de redução de emissões de gases de efeito estufa. No entanto, especialistas alertam que a expansão das lavouras pode gerar disputa por terras e pressão sobre biomas sensíveis, especialmente no Cerrado. Ainda assim, o governo federal tem tratado o segmento como estratégico para consolidar o Brasil como líder global na transição energética.
Impactos econômicos
A estimativa é que os investimentos já realizados e os previstos para os próximos anos ultrapassem R$ 40 bilhões, com geração de milhares de empregos diretos e indiretos, além de impulsionar cadeias logísticas e portuárias. O crescimento também altera a dinâmica das exportações: parte do milho antes destinado exclusivamente ao mercado externo agora é redirecionada para a produção de biocombustível, agregando valor interno.