ÚLTIMAS

Vídeo: Um cara negro e ainda sem dente, reclama Lula de foto do governo.

23 de agosto de 2025

A fala de Lula em Sorocaba (SP), ao criticar uma foto institucional de um homem negro e desdentado divulgada em um governo anterior, rapidamente deixou de ser um detalhe de discurso para se tornar um novo foco de embate político e jurídico. O comentário, que tinha a intenção de reforçar a importância de políticas de saúde bucal, acabou lido por adversários como ofensivo, alimentando acusações de racismo e expondo o presidente a mais um desgaste público.

A oposição não perdeu tempo. Deputados e senadores do PL e do Novo apontaram racismo explícito na fala presidencial, reforçando que associar a imagem de um homem negro à falta de dentes perpetua estereótipos históricos e humilhações sociais. O deputado Leandro de Jesus (PL-BA) protocolou uma denúncia formal contra Lula, cobrando que o Ministério Público Federal investigue o caso. Nas redes, a direita fez da frase munição política, ampliando a cobrança por responsabilização.

No Planalto, o clima foi de contenção de danos. Assessores do presidente e integrantes do PT se mobilizaram para enquadrar a declaração como uma crítica social mal interpretada, e não como ataque à população negra. A Secretaria de Comunicação avalia inclusive lançar uma campanha destacando políticas de inclusão racial e social, para tentar blindar a imagem de Lula. Até aliados ligados ao movimento negro, embora tenham saído em defesa pública, admitiram em conversas reservadas que a fala foi “infeliz” e acabou tirando o foco do que seria o destaque positivo: o programa Brasil Sorridente.

Movimentos sociais e entidades negras também entraram no debate. Parte deles exigiu explicações mais claras de Lula, ressaltando que expressões como essa reforçam estigmas históricos contra os negros no Brasil. Outros lembraram que o programa de saúde bucal é fundamental, mas a fala do presidente acabou eclipsando a pauta. Em resumo: a política pública ficou em segundo plano diante da polêmica da frase.

O episódio abre espaço para novos embates no Congresso, especialmente em comissões de direitos humanos e minorias, onde a oposição promete explorar o tema. O caso também se soma a outros episódios em que declarações improvisadas de Lula geraram desgaste, reforçando a crítica de que o presidente não mede palavras e oferece brechas fáceis para adversários. A Procuradoria-Geral da República pode ser acionada, o que prolongaria a exposição negativa.

Com a eleição de 2026 no horizonte, a oposição já trabalha para transformar o caso em narrativa eleitoral. A estratégia é clara: desgastar Lula junto a eleitores negros e periféricos, um público historicamente associado ao PT. Dentro do partido, cresce a pressão para que o presidente reduza improvisos e adote discursos mais controlados, sob o risco de ver conquistas sociais ofuscadas por frases mal colocadas.

Confira o vídeo:

Rolar para cima