A diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Angelica Laureano, afirmou nesta terça-feira, 27 de janeiro de 2026, que a estatal brasileira considera a retomada de operações na Venezuela como uma alternativa viável para expandir suas reservas. Em um cenário de mudanças políticas em Caracas e de busca por segurança energética na América Latina, a executiva destacou que o país vizinho possui as maiores reservas de petróleo do mundo, o que torna qualquer movimentação na região um passo natural para uma empresa que busca crescimento sustentável e liderança no setor de óleo e gás.

A declaração ocorre em um momento em que a Petrobras busca diversificar seu portfólio para além das águas profundas do pré-sal brasileiro. Segundo Laureano, a entrada na Venezuela dependeria de uma análise técnica rigorosa e do alinhamento com as condições políticas internacionais, mas ressaltou que a empresa possui o conhecimento tecnológico necessário para atuar em campos terrestres e de águas rasas no território venezuelano. A estatal brasileira já teve parcerias históricas com a petrolífera local no passado e vê agora uma janela de oportunidade para renegociar ativos e contratos.
Além dos planos para a Venezuela, a diretora confirmou que a Petrobras está avançando em um projeto estratégico de exploração de gás natural na Colômbia. O país vizinho tem se mostrado um parceiro estável, e a estatal brasileira investe no desenvolvimento de jazidas que podem garantir o suprimento de gás para o mercado sul-americano no longo prazo. Este movimento faz parte de uma estratégia maior de integração energética regional, visando reduzir a dependência de fornecedores de outros continentes e aproveitar a infraestrutura já existente entre as nações vizinhas.
A estratégia da diretoria reflete uma postura mais agressiva da Petrobras em relação ao mercado internacional, focada em ativos de baixo custo de extração e alta rentabilidade. Analistas de mercado observam que o interesse na Venezuela e na Colômbia sinaliza um esforço para transformar a companhia em uma “potência regional”, capaz de equilibrar a produção de petróleo bruto com a crescente demanda por gás, considerado o combustível da transição energética. A viabilidade dessas operações, contudo, passará pelo crivo dos órgãos de controle e pela estabilidade das regras comerciais em cada país.
O posicionamento de Angelica Laureano reafirma a intenção da Petrobras de manter o protagonismo na transição energética sem abrir mão da exploração de hidrocarbonetos. Com os investimentos previstos para os próximos anos, a estatal espera consolidar sua presença no arco norte da América do Sul, aproveitando a proximidade geográfica para otimizar custos logísticos. O mercado financeiro acompanha com atenção os próximos desdobramentos, especialmente em relação a possíveis leilões ou parcerias diretas que possam surgir dessas negociações bilaterais ao longo de 2026.