Um estudo recente da Fiocruz mostra que uma redução de 20% no consumo de bebidas alcoólicas no Brasil teria efeitos imediatos e significativos: cerca de 10.400 mortes evitadas a cada ano, o equivalente a uma vida salva a cada hora. Além disso, o país poderia economizar R$ 2,1 bilhões em perdas de produtividade — quase 60% do orçamento anual do programa Farmácia Popular.
Mesmo cortes menores já fazem diferença. Uma diminuição de apenas 10% no consumo evitaria quase 4.600 mortes anuais e R$ 1 bilhão em prejuízos econômicos. A pesquisa reforça recomendações da Organização Mundial da Saúde, que propõe a redução gradual do álcool até 2030, como forma de proteger a saúde da população e reduzir gastos públicos com as consequências do consumo abusivo.
O caminho é conhecido, mas pouco explorado no Brasil: aumentar impostos sobre bebidas alcoólicas, restringir propaganda, melhorar rótulos e investir em campanhas informativas. O desafio não é apenas político, mas cultural: mudar a forma como o álcool é consumido e percebido pode ser o próximo passo para uma sociedade mais saudável e com menos tragédias evitáveis.