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Divergência em Agenda Oficial: Executivo Frequentou o Banco Central sob Antigo Cargo

18 de fevereiro de 2026

Registros públicos da autoridade monetária revelam que Augusto Lima, atual controlador do recém-liquidado Banco Pleno, manteve uma rotina intensa de compromissos no Banco Central (BC) ao longo de 2025. Os dados oficiais mostram que o banqueiro participou de ao menos sete reuniões em Brasília sendo identificado como presidente executivo do Banco Master. Essa constatação levanta questionamentos sobre a precisão das informações fornecidas por seus representantes legais, que haviam declarado o encerramento de suas atividades naquela instituição ainda no primeiro semestre de 2024.

Banco Pleno era controlado por Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master • Divulgação/Banco Pleno

O levantamento detalha que, entre os diversos encontros realizados no último ano, apenas em uma ocasião  ocorrida em setembro  o executivo foi devidamente registrado como representante do Banco Pleno. Nas demais oportunidades, que incluíram agendas com a diretoria de fiscalização e até com o comando da autarquia, sua presença foi vinculada à estrutura do Master. Essa inconsistência temporal ocorre em um momento delicado, marcado por desdobramentos de investigações que apuram possíveis irregularidades financeiras envolvendo operações de crédito e gestão de ativos.

A revelação desses registros ganha relevância diante da liquidação extrajudicial do Banco Pleno, decretada pelo BC nesta quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026. A medida foi tomada após a identificação de um quadro grave de insolvência e falta de recursos para honrar compromissos imediatos. O Pleno, que anteriormente operava sob outra denominação, teve seu controle transferido para Lima em 2025 com o aval inicial do órgão regulador, mas não conseguiu estabilizar sua saúde financeira em meio ao cenário de incertezas que cercam os negócios anteriores do banqueiro.

Paralelamente ao colapso da instituição, o setor bancário monitora os impactos no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que precisará intervir para ressarcir milhares de correntistas afetados pela paralisação das atividades. Estimativas preliminares indicam que o montante necessário para cobrir os depósitos elegíveis pode alcançar cifras bilionárias, consolidando este como um dos eventos de resolução bancária mais complexos dos últimos anos. A indisponibilidade de bens dos administradores também foi determinada para assegurar o pagamento de dívidas futuras.

O desfecho do caso projeta uma sombra sobre a governança e a transparência das comunicações feitas por instituições financeiras sob escrutínio. Enquanto a defesa do banqueiro sustenta que ele foi surpreendido por operações policiais focadas em períodos posteriores ao seu suposto desligamento do Master, a agenda oficial do Banco Central serve agora como uma peça-chave para reconstruir a cronologia de sua atuação no mercado. O foco das autoridades agora se volta para a análise da real influência exercida pelo executivo nas decisões estratégicas do sistema financeiro durante o último ano.

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