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O Marco Legal do Transporte Público: O que esperar da nova regulação

11 de fevereiro de 2026

A indignação de “pagar imposto para ficar parado no trânsito” é o combustível por trás do Marco Legal do Transporte Público, um projeto que tramita com a promessa de revolucionar a mobilidade urbana no Brasil. A premissa central é separar o custo de manutenção do sistema (infraestrutura e pessoal) da tarifa paga pelo passageiro. Na prática, o governo busca criar fontes de financiamento extratarifárias, para que a conta do ônibus e do metrô não dependa apenas de quem gira a roleta, mas também de fundos públicos e taxas sobre o uso do transporte individual.

(imagem gerada por ia)

Uma das propostas mais polêmicas  e que gera o sentimento de “novo imposto”  é a possibilidade de estados e municípios criarem tributos específicos ou utilizarem parte da arrecadação de taxas de estacionamento e pedágios urbanos para subsidiar o transporte coletivo. A ideia é aplicar o conceito de que o carro particular gera uma externalidade negativa (engarrafamento e poluição) e que, por isso, o usuário do transporte individual deve ajudar a custear a solução: um transporte público de qualidade que tire carros das ruas.

Pontos principais do novo Marco Legal:

  • Subsidiar a Tarifa: Reduzir o preço da passagem para o usuário final através de subsídios diretos do governo.

  • Contratos de Qualidade: Mudar a forma como as empresas de ônibus são pagas. Em vez de receberem por passageiro transportado (o que gera ônibus lotados), passariam a receber por qualidade e disponibilidade do serviço.

  • Transparência de Custos: Obrigatoriedade de abertura das planilhas de custos das empresas de transporte, permitindo maior fiscalização social.

  • Prioridade Viária: Incentivo à criação de faixas exclusivas e BRTs para que o transporte público não fique preso no mesmo engarrafamento que os carros.

O dilema do financiamento

O grande desafio é convencer a população de que esse investimento trará retorno. Atualmente, o Brasil gasta bilhões em manutenção de vias para carros, enquanto o transporte público sofre com frotas sucateadas. O Marco Legal propõe que o transporte seja tratado como um direito social (como saúde e educação), o que justifica o uso de impostos gerais para mantê-lo. No entanto, o receio de que o dinheiro seja mal gerido e que o engarrafamento continue o mesmo é a principal barreira política para a aprovação total das medidas.

A expectativa é que, com a aprovação final do Marco, as cidades tenham mais autonomia para planejar a mobilidade de forma integrada. Se o sistema funcionar, a meta é converter o “tempo perdido no trânsito” em produtividade e qualidade de vida. Caso contrário, o risco é apenas o aumento da carga tributária sem a contrapartida na eficiência, mantendo o motorista pagando impostos e, ainda assim, parado na mesma avenida.

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