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Thiago Manzoni passa a ser cogitado nos bastidores para o governo do DF

12 de março de 2026

Na política de Brasilia , candidaturas raramente nascem em público. Antes de qualquer projeto eleitoral ganhar forma oficial, ele costuma aparecer primeiro em conversas reservadas, nos corredores da política, em análises informais e em avaliações feitas por dirigentes partidários, empresários e observadores do cenário local.

Nos últimos meses, um nome passou a surgir com frequência crescente nesse tipo de diálogo: o do deputado distrital Thiago Manzoni, filiado ao Partido Liberal (PL).

Interlocutores da política do Distrito Federal, entre lideranças partidárias, analistas e representantes do setor produtivo, passaram a levantar a possibilidade de que o parlamentar possa vir a se tornar um nome competitivo em uma futura disputa pelo Palácio do Buriti, sede do governo distrital.


Foto: Carolina Curi/Agência CLDF

O próprio deputado não confirmou qualquer intenção nesse sentido. Publicamente, mantém o discurso de foco no mandato parlamentar e nas pautas legislativas em andamento. Ainda assim, nos bastidores da política brasiliense, essa hipótese vem sendo mencionada com frequência cada vez maior.

O episódio do BRB que ampliou a projeção política

(crédito: Ed Alves/CB)

Boa parte da projeção recente do deputado tem origem em um debate que ganhou grande repercussão política na capital: a discussão sobre a situação financeira do Banco de Brasília (BRB).

O governo do Distrito Federal encaminhou à Câmara Legislativa do Distrito Federal um projeto de lei autorizando medidas de capitalização da instituição financeira. A proposta previa operações que poderiam alcançar cerca de R$ 6,6 bilhões, além da possibilidade de utilização de ativos imobiliários públicos para reforçar o patrimônio do banco.

O tema, inicialmente técnico, rapidamente se transformou em um dos debates políticos mais intensos do período recente na Câmara Legislativa.

Durante a tramitação do projeto, Manzoni adotou uma posição crítica à proposta. O parlamentar defendeu que o Legislativo deveria ter acesso a informações mais detalhadas sobre a situação financeira do banco e sobre os impactos fiscais que a operação poderia gerar para o Distrito Federal.

Antes da votação, apresentou requerimento solicitando a presença do presidente do BRB e do secretário de Economia do DF no plenário da Câmara para prestar esclarecimentos formais aos deputados.

O pedido acabou sendo rejeitado pela maioria parlamentar, mas ampliou o debate público sobre transparência e governança na gestão do banco estatal.

Ruptura política e reposicionamento no cenário do DF

A posição adotada pelo deputado teve consequências políticas imediatas.

Após votar contra o projeto de capitalização do BRB, Manzoni acabou se afastando da base política do governador Ibaneis Rocha na Câmara Legislativa.

Logo após a votação, o governo do Distrito Federal publicou no Diário Oficial exonerações de cargos comissionados ligados a parlamentares que se posicionaram contra a proposta. Entre os atingidos estavam indicados políticos vinculados ao grupo do deputado, que ocupavam funções na estrutura administrativa do GDF.

Nos bastidores da política local, a medida foi interpretada como uma reação direta do Palácio do Buriti à dissidência dentro da base governista. Como os cargos em comissão costumam ser ocupados por indicações políticas, as exonerações acabaram atingindo diretamente equipes e servidores ligados aos grupos políticos dos parlamentares.

Posteriormente, novos nomes foram nomeados para ocupar as funções, consolidando o distanciamento político entre o governo e os deputados que votaram contra o projeto.

O episódio alterou o posicionamento de Manzoni no cenário político do Distrito Federal. De aliado eventual do governo, passou a atuar de forma mais independente no debate sobre gestão pública, transparência e responsabilidade fiscal.

Esse movimento alterou seu posicionamento dentro do tabuleiro político do Distrito Federal. De aliado eventual do governo distrital, passou a atuar com maior independência em debates relacionados à gestão pública e responsabilidade fiscal.

Nos bastidores, analistas da política local avaliam que esse episódio contribuiu para ampliar a projeção do parlamentar para além da esfera legislativa.

Construção de um perfil político

Desde o início do mandato, Manzoni tem construído sua atuação parlamentar com forte ênfase em temas ligados à responsabilidade fiscal, redução de carga tributária e fiscalização da administração pública.

Esse perfil ganhou maior visibilidade durante o debate envolvendo o BRB, quando o deputado passou a defender publicamente maior transparência na condução financeira de instituições públicas do Distrito Federal.

Na prática, a estratégia política acabou posicionando o parlamentar em um território tradicionalmente associado ao Executivo: o debate sobre gestão econômica e sustentabilidade fiscal da máquina pública.

O nome que começa a aparecer nas análises sobre o futuro do DF

É nesse ponto que a análise política começa a ganhar contornos eleitorais.

Interlocutores da política local afirmam que o nome de Thiago Manzoni passou a aparecer com maior frequência em conversas sobre possíveis cenários para o governo do Distrito Federal nos próximos anos.

Essas conversas ainda ocorrem em ambiente informal. Não há articulação eleitoral estruturada nem anúncio de pré-candidatura. Ainda assim, a possibilidade tem sido cada vez mais citada por atores políticos que acompanham de perto o movimento das forças partidárias no DF.

O raciocínio desses interlocutores passa por alguns fatores.

Manzoni conseguiu construir uma identidade política clara baseada em responsabilidade fiscal e fiscalização da gestão pública.

Também conseguiu transformar um debate técnico envolvendo um banco estatal em pauta política de grande repercussão no Distrito Federal.

Além disso, está inserido em um partido que possui presença significativa no cenário político nacional.

Uma hipótese política que começa a circular

O próprio deputado não confirmou qualquer intenção de disputar o governo do Distrito Federal. Pelo contrário, mantém discurso focado na atuação parlamentar e no acompanhamento de temas ligados à gestão pública.

Mas, na política de Brasília, muitas candidaturas começam exatamente dessa forma.

Primeiro como hipótese.

Depois como análise.

E, se as condições políticas permitirem, como projeto eleitoral.

O fato de o nome de Thiago Manzoni começar a aparecer nessas conversas indica que sua atuação parlamentar passou a ser observada sob uma nova lente.

Ele deixou de ser visto apenas como um deputado ativo no plenário da Câmara Legislativa.

Passou a ser analisado por alguns interlocutores como um possível ator no debate sobre o futuro político e administrativo do Distrito Federal.

Nota da Redação: A reportagem tentou contato com o deputado distrital Thiago Manzoni para comentar as avaliações feitas nos bastidores da política local sobre a possibilidade de seu nome vir a ser considerado em uma eventual disputa pelo governo do Distrito Federal. Até o fechamento desta matéria, o parlamentar não havia respondido aos questionamentos. O espaço permanece aberto para que o deputado se manifeste sobre o tema.

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