O Governo do Distrito Federal (GDF) levou cultura e reflexão para dentro da sala de cinema. Cerca de 400 estudantes da rede pública participaram, nesta segunda-feira (15), de uma sessão especial do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, no Cine Brasília, marcando um encontro entre educação, arte e cidadania.
Cinema como ferramenta de aprendizado
A exibição do filme Hora do Recreio, dirigido por Lúcia Murat, foi destinada a jovens da Educação em Tempo Integral e acompanhada de um debate com a cineasta. A produção mistura documentário e ficção ao dar voz a adolescentes de 14 a 19 anos que vivem em comunidades do Rio de Janeiro.
O longa aborda temas urgentes como violência, racismo, feminicídio e evasão escolar, além de retratar a montagem de uma peça inspirada em Clara dos Anjos, clássico de Lima Barreto. A proposta é provocar identificação, escuta e reflexão a partir da realidade vivida pelos próprios jovens.

Escolas representadas
Participaram da iniciativa estudantes de seis unidades de ensino:
CEM 01 do Guará CEM 02 de Ceilândia CEM 01 do Riacho Fundo Escola Industrial de Taguatinga Centro Educacional Irmã Maria Regina Velanes Regis CED Incra 08
A atividade faz parte do programa Territórios Culturais, parceria entre as secretarias de Educação (SEEDF) e de Cultura e Economia Criativa (Secec). O projeto coloca professores para atuarem em museus e espaços culturais, conectando a aprendizagem escolar a experiências artísticas.
Vozes que se encontram
Após a exibição, os estudantes puderam dialogar diretamente com a diretora. Para Lúcia Murat, homenageada no festival com o Prêmio Leila Diniz, o acesso ao cinema precisa ser garantido como política pública:
“É essencial que esses jovens tenham contato com obras em salas de qualidade, com som e imagem que permitam uma experiência completa. Mais do que ver, eles precisam se reconhecer na tela.”
A estudante Ana Clara da Silva Cardoso, do terceiro ano do ensino médio, destacou o impacto da sessão:
“O filme trouxe assuntos pesados de forma leve. Vi muita gente chorando porque são situações que fazem parte do nosso dia a dia, mas que nem sempre são discutidas.”
Já a professora Silvia Eulália de Sousa Leite avaliou que o encontro abre espaço para escuta:
“Esses jovens querem ser ouvidos. Muitos se viram representados nas histórias, o que fortalece a autoestima e encoraja a falar de suas próprias vivências.”
Cultura que transforma
A iniciativa reforça a visão de que o cinema pode ser mais do que entretenimento: é um instrumento de formação crítica e social. Ao integrar escolas públicas ao maior festival de cinema do país, o GDF aposta na cultura como meio de inclusão, diálogo e valorização das juventudes do DF.
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