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Ártico enfrenta ano mais quente já medido e alterações drásticas no ambiente polar

18 de dezembro de 2025

O Ártico registrou em 2025 a temperatura média mais alta desde o início das medições, superando marcas de mais de um século e estabelecendo um novo recorde histórico para a região polar. Dados do relatório anual divulgado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) mostram que, entre outubro de 2024 e setembro de 2025, as temperaturas ficaram cerca de 1,6 °C acima da média de referência de 1991–2020, com aquecimento ocorrendo várias vezes mais rápido do que a média global. Esse período é considerado o mais quente já observado em pelo menos 125 anos de registros contínuos.

O aumento persistente das temperaturas está impulsionando mudanças profundas nos solo e na vegetação do Ártico. Um dos fenômenos descritos pelos cientistas é a chamada “borealização”, em que áreas de tundra antes dominadas por espécies típicas do frio começam a exibir vegetação mais característica de regiões ao sul, refletindo a resposta direta ao clima mais quente e úmido. Esse processo tem sido confirmado por observações satelitais que mostram níveis recordes de “verdor” nas áreas circumpolares.

Ao mesmo tempo, o aquecimento do permafrost a camada de solo permanentemente congelado tem provocado transformações visíveis nos cursos de água do Ártico. À medida que o permafrost derrete, minerais como ferro oxidados entram nos riachos e rios, tingindo as águas de tons alaranjados e comprometendo a qualidade da água. Mais de 200 desses cursos d’água foram relatados com coloração alterada nesta temporada, o que pode afetar a biodiversidade aquática e os recursos hídricos locais.

A perda contínua de gelo marinho destaca ainda mais a intensidade das mudanças climáticas no Ártico. A cobertura de gelo mínimo atingiu níveis historicamente baixos, reduzindo drasticamente a extensão de gelo espesso e estável que costumava refletir a luz solar e moderar o aquecimento regional. Esse declínio contribui para um ciclo em que menos gelo significa mais absorção de calor pelos oceanos, acelerando ainda mais o aquecimento.

Os impactos dessas transformações vão além do ambiente natural: comunidades humanas que dependem dos recursos árticos também enfrentam desafios crescentes. Alterações nos padrões de chuva e neve, mudanças nos ciclos de migração de animais e riscos à infraestrutura construída sobre o permafrost são alguns dos problemas que povos indígenas e residentes locais relatam com mais frequência à medida que as condições na região se tornam cada vez mais instáveis.

Esses resultados levantam sinais de alerta para a comunidade científica e formuladores de políticas, reforçando a necessidade de esforços globais mais intensos para reduzir emissões de gases de efeito estufa e mitigar os efeitos das mudanças climáticas tanto no Ártico quanto em outras partes vulneráveis do planeta. 

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