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Paralisação no SUS DF: enfermeiros cruzam os braços por 12 horas nesta quarta

11 de novembro de 2025

Os enfermeiros do Distrito Federal decidiram parar as atividades por 12 horas nesta quarta-feira (12/11) em protesto por melhores condições de trabalho e isonomia salarial. A paralisação no SUS DF afeta hospitais, Unidades Básicas de Saúde e demais serviços da rede pública.

O Sindicato dos Enfermeiros (SindEnfermeiro-DF) afirma que a mobilização é um grito por valorização da categoria, que enfrenta sobrecarga, baixos salários e déficit de profissionais. Segundo a entidade, mais de 1.800 cargos estão vagos na rede pública.

Carreata e concentração no Parque da Cidade

Os enfermeiros se reúnem às 8h no Estacionamento 12 do Parque da Cidade, onde começa a carreata rumo ao Palácio do Buriti. O ato seguirá até a sede do Governo do Distrito Federal (GDF), com discursos e manifestações em frente ao prédio.

De acordo com o sindicato, o protesto será pacífico e tem o objetivo de chamar atenção da população e do governo para o colapso da enfermagem. “Tem hospital com metade da equipe faltando. Profissional dobrando plantão, sem material adequado e sendo cobrado como se estivesse em plena condição de trabalho”, declarou o presidente do SindEnfermeiro-DF, Jorge Henrique de Sousa.

Déficit de pessoal e condições precárias

O sindicato destaca que os profissionais convivem com escassez de insumos, sobrecarga física e emocional, além de infraestrutura precária em hospitais regionais. A situação, segundo eles, compromete o atendimento à população e agrava o adoecimento dos trabalhadores.

Para o SindEnfermeiro-DF, a reestruturação da carreira é urgente. “Não é apenas por salário, é por dignidade e segurança”, reforça a nota divulgada à imprensa.

O que diz o governo do DF

Em nota, a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) reconheceu o direito à mobilização sindical e afirmou que o diálogo com a categoria permanece aberto. A pasta destacou que o último concurso público para enfermagem, realizado em 2022, ofereceu 101 vagas imediatas e formação de cadastro reserva.

Desde então, foram nomeados 537 aprovados, segundo publicações no Diário Oficial do DF (DODF). A secretaria informou ainda que, entre 2024 e 2025, mais 294 enfermeiros foram convocados, e há planejamento para novas nomeações nos próximos meses.

Os profissionais pedem isonomia salarial em relação a outras categorias da saúde, além de um plano de cargos e salários mais justo. Segundo o sindicato, a defasagem nos vencimentos ultrapassa 25% em relação a outros estados.

Além disso, a classe reivindica reajuste de gratificações, pagamento de adicionais de insalubridade e revisão do piso nacional da enfermagem.

Impacto da paralisação no atendimento

Durante a paralisação, apenas atendimentos de urgência e emergência serão mantidos. Consultas e exames agendados podem sofrer atrasos ou remarcações. A SES-DF informou que elaborou um plano de contingência para minimizar os impactos sobre a população.

Por outro lado, o SindEnfermeiro-DF alerta que o protesto é apenas um “sinal de alerta” e que uma greve geral não está descartada caso as negociações não avancem.

Apoio popular e desgaste crescente

Nas redes sociais, enfermeiros e pacientes expressaram apoio ao movimento. Muitos destacam que a categoria foi linha de frente durante a pandemia e segue desvalorizada. “Cuidamos de vidas, mas quem cuida de nós?”, questionam alguns profissionais em postagens de apoio.

O ato também conta com o apoio de técnicos e auxiliares de enfermagem, que enfrentam condições semelhantes na rede pública.

Pressão aumenta sobre o GDF

A paralisação amplia a pressão sobre o Governo do Distrito Federal, que tenta equilibrar o orçamento da saúde sem comprometer o limite de gastos com pessoal. Fontes ligadas à Secretaria de Fazenda afirmam que há espaço para novas nomeações, mas o impacto financeiro ainda é analisado.

Analistas políticos apontam que a mobilização pode influenciar as negociações salariais de outras categorias do funcionalismo local, que também estudam paralisações.

Enquanto a categoria reivindica reconhecimento, o GDF busca alternativas para conter o desgaste político e evitar o agravamento da crise. A paralisação no SUS DF é, portanto, um ponto de inflexão para o setor e deve definir os próximos passos nas relações entre servidores e governo.

Sem avanço no diálogo, o risco de uma paralisação prolongada permanece no horizonte.

A paralisação dos enfermeiros do DF acende um alerta sobre a valorização dos profissionais da saúde pública. O movimento mostra que o setor chegou ao limite e precisa de respostas rápidas.

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