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Indulto a ex-presidente hondurenho fragiliza narrativa dos EUA para atacar a Venezuela

1 de dezembro de 2025

A recente decisão do Donald Trump de conceder perdão pleno ao ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández condenado nos EUA por tráfico de grandes quantidades de cocaína expôs uma contradição flagrante na política antidrogas americana, justamente no momento em que Washington intensifica ameaças militares à Venezuela.

Donald Trump e Nicolás Maduro

Hernández foi condenado em 2024 a 45 anos de prisão por envolvimento na importação de centenas de toneladas de cocaína aos Estados Unidos, além de conspiração para tráfico de armas acusações com base em evidências consideradas sólidas pelos promotores. Assim, perdoar um condenado por esse tipo de crime enquanto se intensificam ataques a supostos narcotraficantes venezuelanos enfraquece o discurso de legitimidade moral e legal dos EUA.

Ao mesmo tempo, o governo americano, sob Trump, vem promovendo ações militares no Caribe e ameaçava “operar por terra” contra redes de narcotráfico ligadas à Venezuela agora retratadas como “terroristas”. Essa escalada, acompanhada de manchetes globais sobre a possibilidade de intervenção contra o regime de Nicolás Maduro, ganhava respaldo no discurso de combate às drogas… até o indulto a Hernández.

A manobra de Trump enfraquece a coerência de sua estratégia cria um clima de hipocrisia nas relações internacionais, sugerindo que os critérios de justiça e punição podem variar conforme aliados ou o contexto político. Além disso, esse contraste dá munição aos críticos da política externa dos EUA, que veem na retórica anti-drogas apenas um pretexto para pressionar governos adversários em nome de interesses geopolíticos.

Em resumo, o perdão a um ex-presidente condenado por narcotráfico mina a credibilidade do discurso de Washington e complica a eventual justificativa legal e ética para uma intervenção militar na Venezuela transformando o combate às drogas em instrumento de manobra política.

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