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Megaoperação no Rio deixa mais de 120 mortos e expõe divergência entre governo e Defensoria

29 de outubro de 2025

Uma megaoperação policial realizada entre os complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, terminou com mais de 120 mortos e centenas de prisões, segundo informações da Defensoria Pública do Estado. O número oficial divulgado pelo governo fluminense é menor: 64 mortes, sendo 60 suspeitos e quatro policiais dois civis e dois do BOPE. A discrepância entre os levantamentos levantou questionamentos sobre transparência e metodologia na contagem de vítimas.

De acordo com o governo estadual, a operação foi uma resposta ao avanço de facções criminosas que controlavam rotas de tráfico e de armas nas comunidades. Cerca de 2.500 agentes participaram da ação, que contou com apoio de blindados, helicópteros e drones. O governador Cláudio Castro classificou a ofensiva como “a maior operação já feita contra o crime organizado no Rio” e afirmou que as únicas vítimas reconhecidas oficialmente foram os quatro policiais mortos em serviço.

Já a Defensoria Pública do Rio apresentou dados muito mais altos. Segundo o órgão, até o momento 132 mortes foram registradas, incluindo 128 civis e os 4 policiais mencionados pelo governo. O levantamento baseia-se em informações coletadas por equipes locais e relatos de moradores, que apontam que muitos corpos foram retirados das áreas de mata pelas próprias comunidades antes da chegada da perícia. O órgão também pediu investigações independentes sobre as circunstâncias das mortes e possíveis abusos durante os confrontos.

A ação provocou impacto em toda a cidade. Diversas escolas e unidades de saúde suspenderam atividades, ônibus foram incendiados e vias importantes ficaram bloqueadas. Moradores relataram intensa troca de tiros, explosões e helicópteros sobrevoando as favelas durante horas. Entidades de direitos humanos e a Organização das Nações Unidas (ONU) manifestaram preocupação com a alta letalidade e pediram que o Brasil assegure o cumprimento dos direitos fundamentais mesmo em ações de segurança pública.

Enquanto o governo do estado defende a operação como um “sucesso contra o crime”, especialistas alertam que o episódio reacende o debate sobre o modelo de segurança adotado no Rio marcado por confrontos diretos e alto índice de mortes. As investigações seguem em andamento para identificar todas as vítimas, apurar responsabilidades e confirmar os números definitivos da operação, considerada uma das mais letais da história do país.

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