Nos confins do oceano, espécies antigas como o tubarão-gulper criaturas profundas e de aparência quase pré-histórica vêm sendo capturadas em massa para servir à indústria da beleza. O motivo: o fígado desses tubarões contém altos níveis de esqualeno, um óleo valorizado por suas propriedades hidratantes e antioxidantes, amplamente usado em cosméticos como cremes, protetores solares e loções.

Especialistas alertam que a pesca intensiva de tubarões-gulper tem levado diversas espécies ao limiar da extinção estima-se que cerca de ¾ delas agora estão em risco. Essas espécies têm reprodução lenta e maturação tardia, o que as torna extremamente vulneráveis à sobrepesca: mesmo níveis moderados de captura dificultam a recuperação de suas populações.
Apesar da existência de alternativas ao esqualeno de origem animal como óleos vegetais de oliva, gérmen de trigo, arroz ou outras fontes vegetais a extração a partir de tubarões ainda é bastante atraente para a indústria. Isso porque o rendimento é maior e o processo mais barato e simples.

Nos últimos anos, algumas grandes marcas globais anunciaram a retirada do esqualeno derivado de tubarões de suas formulações, optando por versões vegetais. No entanto, a rotulagem de cosméticos nem sempre exige que a origem do esqualeno ou esqualano seja informado o que impede que o consumidor saiba se está, involuntariamente, contribuindo para a pressão sobre espécies ameaçadas.
Para reduzir os impactos sobre a vida marinha e ajudar na preservação desses tubarões, especialistas e organizações ambientais recomendam atenção às escolhas de consumo: verificar se os produtos declaram “origem vegetal” ou “100% vegetal” para o esqualeno/esqualano, e favorecer marcas transparentes ou veganas. Essa simples decisão pode diminuir a demanda por óleo de fígado de tubarão e ajudar a proteger espécies milenares e essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas oceânicos.