A Polícia Civil da Bahia confirmou a prisão do empresário paulista Sérgio Nahas, de 61 anos, ocorrida no último sábado (17 de janeiro de 2026), em um condomínio de luxo na Praia do Forte, litoral norte baiano. Nahas era considerado foragido desde junho de 2025 e figurava na lista da Difusão Vermelha da Interpol. A localização foi possível graças ao sistema de reconhecimento facial da Secretaria de Segurança Pública, que identificou o condenado circulando pela região turística ironicamente, o mesmo destino onde ele e a esposa, Fernanda Orfali, passaram a lua de mel em 2002.

O caso remonta a maio de 2002, quando Fernanda Orfali, então com 28 anos, foi morta com um tiro no peito no apartamento do casal, no bairro de Higienópolis, em São Paulo. Durante décadas, a defesa de Nahas sustentou a tese de suicídio, enquanto as investigações apontaram para homicídio qualificado. Segundo o processo, o crime teria ocorrido após a vítima descobrir infidelidades do marido e seu envolvimento com substâncias ilícitas. A condenação definitiva, que encerrou uma longa batalha de recursos nas instâncias superiores, fixou a pena em 8 anos e 2 meses de reclusão em regime fechado.
No momento da abordagem policial, Nahas não ofereceu resistência, mas os agentes encontraram em sua posse materiais que agravaram sua situação flagrancial. Foram apreendidos 13 pinos de substância análoga à cocaína, três aparelhos celulares, cartões de crédito e um veículo modelo Audi. O empresário passou por audiência de custódia na Bahia e foi transferido para o sistema prisional, onde deverá iniciar o cumprimento da sentença pelo crime cometido há mais de duas décadas, além de responder pela posse dos entorpecentes.
A prisão foi celebrada por familiares de Fernanda Orfali, que durante 24 anos clamaram por justiça diante do que chamavam de “morosidade provocada pelo alto poder aquisitivo do réu”. O pai da vítima faleceu antes de ver o desfecho do caso, que se tornou um símbolo das dificuldades do Judiciário em punir crimes de violência doméstica em classes sociais elevadas. A utilização de tecnologia de ponta para capturar um foragido de longa data reforça a eficácia das novas ferramentas de vigilância no combate à impunidade.
Este desfecho encerra um dos capítulos mais longos da crônica policial paulista, destacando a persistência das investigações mesmo após quase um quarto de século. O vídeo do monitoramento, que registrou o momento exato em que o sistema alertou as autoridades sobre a presença de Nahas na Praia do Forte, está sendo utilizado como prova da eficiência da integração policial entre os estados.