Um depoimento prestado à Polícia Federal adicionou um novo elemento às investigações que envolvem o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”. A ex-marqueteira Danielle Miranda Fonteles confirmou aos investigadores que o filho do presidente participou de visitas a instalações e fábricas em Portugal ao lado do empresário, em uma agenda relacionada a um projeto voltado à produção de medicamentos à base de cannabis.
Em Brasília, qualquer confirmação registrada formalmente em um inquérito costuma ampliar o alcance político de uma investigação. E foi exatamente isso que ocorreu após o depoimento. Segundo Danielle, Lulinha esteve presente em visitas técnicas realizadas em território português a convite do lobista, apontado por investigações como uma das figuras centrais de um esquema atualmente sob apuração.
De acordo com o relato prestado à Polícia Federal, o filho do presidente acompanhou parte das agendas realizadas na Europa, mas não teria participado diretamente das negociações ou discussões comerciais. A depoente afirmou que ele manteve uma postura discreta durante os encontros, embora sua presença tenha sido observada e posteriormente confirmada aos investigadores.
O projeto citado no depoimento envolvia a estruturação de uma fábrica destinada à produção de medicamentos derivados de cannabis em território europeu. A iniciativa teria atraído empresários, investidores e intermediários brasileiros interessados no setor, que vem registrando crescimento em diversos mercados internacionais nos últimos anos.
A relevância do depoimento não está necessariamente na existência das viagens, mas no fato de que elas passam a integrar oficialmente os autos da investigação. Para investigadores, a confirmação de encontros, deslocamentos e agendas compartilhadas ajuda a reconstruir relações, cronologias e contextos que podem ser relevantes para a apuração em andamento.
O nome de Antônio Carlos Camilo Antunes aparece em diferentes frentes investigativas e tem sido associado a uma ampla rede de contatos empresariais e políticos. Por essa razão, qualquer informação que ajude a mapear suas conexões costuma receber atenção especial das autoridades responsáveis pelo caso.
A defesa de Lulinha sustenta que a viagem já havia sido explicada anteriormente e afirma que ele não participou de negócios ligados ao lobista. Os advogados também negam qualquer irregularidade envolvendo a presença dele nas agendas realizadas em Portugal.
Mesmo assim, o depoimento de Danielle Fonteles acrescenta um novo capítulo à investigação ao confirmar a existência de encontros e visitas técnicas que até então estavam cercados por diferentes versões. A inclusão dessas informações no inquérito amplia o conjunto de elementos analisados pelos investigadores.
Nos bastidores de Brasília, o episódio volta a alimentar questionamentos sobre a extensão das relações mantidas entre empresários, consultores e agentes com influência política. Embora a investigação ainda esteja em curso, cada novo depoimento contribui para a construção de um quadro mais amplo sobre os fatos em análise.
Por enquanto, não há conclusão definitiva sobre responsabilidades ou eventual prática de irregularidades. O caso permanece sob apuração da Polícia Federal, enquanto investigadores buscam delimitar com maior precisão o papel desempenhado por cada personagem citado ao longo das investigações.