Após anos explorando multiversos e grandes blockbusters, o mestre do “terrir”, Sam Raimi, retorna às suas raízes com Socorro! (Send Help)
O filme não é apenas um thriller de sobrevivência em uma ilha deserta; é uma sátira ácida e sangrenta sobre as hierarquias de poder que levamos do escritório para a natureza selvagem.
A trama acompanha Linda Liddle (Rachel McAdams) e seu arrogante chefe, Bradley Preston (Dylan O’Brien), os únicos sobreviventes de uma queda de avião em uma ilha remota, o que começa como um cenário clássico de “náufrago” rapidamente se transforma em algo muito mais sinistro sob a lente de Raimi.

O brilho do filme reside na inversão da dinâmica de poder, no ambiente corporativo, Linda era subestimada e invisível; na ilha, onde a competência prática vale mais do que o cargo no LinkedIn, ela assume as rédeas enquanto Bradley desmorona sob o peso de sua própria inutilidade.
McAdams entrega uma performance física e emocionalmente exaustiva, provando que ainda é uma das atrizes mais versáteis de sua geração, para os fãs de longa data, Socorro! é um banquete, o diretor resgata o estilo splatstick (uma mistura de gore com comédia física) que o consagrou em Evil Dead.

A câmera é inquieta, os ângulos são holandeses e as situações de perigo que variam de predadores naturais a armadilhas improvisadas são filmadas com um humor negro que faz a plateia rir e se encolher de pavor simultaneamente.
A trilha sonora e o sound design acentuam a paranoia, cada estalo de galho e cada grito na floresta são amplificados para criar uma atmosfera de tensão constante, não se trata apenas de sobreviver à fome, mas de sobreviver um ao outro.

Socorro! se estabelece como o primeiro grande filme de gênero de 2026, é um lembrete de que, quando o verniz da civilização cai, o que sobra pode ser muito mais assustador do que qualquer monstro, Sam Raimi mostra que ainda sabe, como ninguém, transformar um grito de ajuda em puro entretenimento cinematográfico.
Nota 5/5