Pesquisadores internacionais chamam atenção para um possível novo risco à saúde cerebral: a presença de microplásticos no cérebro humano pode estar associada a sintomas semelhantes aos da doença de Alzheimer. Um estudo publicado na revista Environmental Research Communications analisou camundongos geneticamente modificados com o gene APOE4, conhecido por aumentar a predisposição ao Alzheimer, e constatou que a exposição a microplásticos levou ao acúmulo dessas partículas no cérebro, além de alterações comportamentais e cognitivas típicas da doença, como perda de memória e mudanças de comportamento.
Segundo os cientistas, as partículas de microplástico parecem atravessar barreiras biológicas, incluindo a barreira hematoencefálica, e se acumular em células imunológicas e nas paredes dos vasos sanguíneos, provocando sinais de inflamação. Além disso, análises de amostras de cérebros humanos com demência revelaram concentrações mais elevadas de microplásticos, sugerindo que essas partículas podem agravar processos inflamatórios ou disfunções vasculares, embora ainda não haja comprovação de causalidade direta.

Embora os resultados tenham sido obtidos principalmente em modelos animais, os pesquisadores destacam que os achados levantam preocupações sobre a exposição crescente a microplásticos no ambiente, que pode representar um fator de risco adicional para doenças neurodegenerativas, especialmente em indivíduos geneticamente predispostos.
O estudo reforça a necessidade de reduzir a exposição a microplásticos, seja por meio de mudanças nos hábitos de consumo de plásticos e embalagens, seja por políticas públicas de sustentabilidade e conscientização ambiental, como medida preventiva para a saúde cerebral.
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