No 7 de setembro de 2025, Brasília foi palco de um contraste político marcante. Enquanto o tradicional desfile cívico-militar, conduzido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocorreu com um público reduzido, a manifestação organizada por apoiadores da direita na Torre de TV atraiu uma quantidade significativa de participantes.
O desfile, realizado na Esplanada dos Ministérios, contou com a presença do presidente Lula e da primeira-dama Janja, que desfilaram em um Rolls-Royce conversível. Apesar do forte esquema de segurança, o evento teve um público esvaziado, com estimativas abaixo das expectativas. A estratégia do governo incluiu o uso de slogans como “Governo do Brasil do lado do povo brasileiro” e o jingle “Coração Brasileiro” para reforçar a imagem de unidade nacional. No entanto, a baixa adesão ao evento presencial contrastou com a mobilização em outras partes da cidade.


Enquanto isso, no estacionamento da Funarte, atrás da Torre de TV, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro se reuniram em uma manifestação organizada pelo movimento Reaja Brasil, fundado pelo pastor Silas Malafaia. O ato teve início por volta das 8h e contou com a presença de lideranças como a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), a deputada Bia Kicis (PL-DF) e o ex-desembargador Sebastião Coelho (Novo-DF). Os manifestantes expressaram apoio ao ex-presidente Bolsonaro e pediram sua liberdade, criticando o Supremo Tribunal Federal (STF) e o governo do presidente Lula.
Cartazes e faixas com frases como “Liberdade não se fatia. Anistia já!” e “Eleição sem Bolsonaro é golpe” foram exibidos durante o protesto. Os participantes também usaram camisetas da seleção brasileira e bandeiras do país, reforçando o caráter patriótico do ato. O movimento Reaja Brasil destaca que o governo Lula tem adotado medidas que considera autoritárias, como tentativas de regulação da mídia e censura à oposição. Os organizadores argumentam que essas ações representam uma ameaça à democracia brasileira e buscam reverter o que consideram abusos de poder por parte do STF e do governo federal.
O deputado distrital Thiago Manzoni (PL-DF) esteve presente na manifestação e afirmou que o ato é a favor da liberdade do país. Ele destacou que o movimento busca justiça para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e criticou o que considera perseguições políticas contra apoiadores do ex-presidente Bolsonaro. Manzoni também ressaltou a importância de pautar a anistia no Congresso Nacional como forma de promover a reconciliação nacional.
A manifestação em Brasília foi apenas uma das diversas ações realizadas em todo o país. Atos semelhantes ocorreram em quase 100 cidades brasileiras e também no exterior, com o objetivo de pressionar o Congresso a aprovar a anistia e expressar apoio ao ex-presidente Bolsonaro. Os manifestantes também pediram o impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes, criticado por sua atuação durante o período pós-eleitoral.
O contraste entre o desfile presidencial esvaziado e a manifestação da direita com alta adesão evidencia a polarização política no Brasil. Enquanto o governo busca reforçar a imagem de unidade nacional, a oposição mobiliza-se em defesa de pautas como a anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e críticas ao Judiciário. Esse cenário reflete um momento de tensão política, onde diferentes segmentos da sociedade expressam suas visões e demandas de forma contundente.
O evento também destacou a ausência de ministros do STF no desfile oficial. Nenhum dos 11 ministros compareceu à cerimônia, o que gerou especulações sobre a relação entre o Judiciário e o Executivo. Além disso, a ausência de outras autoridades, como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também foi notada, evidenciando possíveis tensões institucionais.
A mobilização popular observada na manifestação da direita contrasta com o cenário do desfile presidencial, onde o público presente parecia limitado. Esse contraste levanta questões sobre a representatividade e o apoio popular ao governo atual, além de evidenciar as divisões políticas que marcam o cenário nacional.
Em suma, o 7 de setembro de 2025 foi um dia que expôs as profundas divisões políticas no Brasil. Enquanto o desfile presidencial buscava reforçar a imagem de unidade nacional, a manifestação da direita demonstrou a força de um movimento oposicionista que continua a mobilizar setores significativos da sociedade brasileira. O desfecho do dia deixou claro que o país segue em um momento de intensas disputas políticas e sociais.
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