Em depoimento à Polícia Civil nesta semana, os proprietários da academia C4 Gym, localizada na Zona Leste de São Paulo, atribuíram a responsabilidade pelo acidente fatal à imprudência de um funcionário que atuava como manobrista. Segundo os sócios, o colaborador manuseou o cloro em pó de forma totalmente inadequada, o que teria gerado a névoa tóxica responsável pela morte da professora Juliana Faustino Bassetto e pela internação de outras quatro pessoas. A defesa dos empresários sustenta que não houve ordem direta para que o manobrista realizasse a manutenção química da piscina naquele momento, tentando desvincular a gestão da empresa da falha operacional ocorrida.

A versão apresentada pelos donos da academia busca caracterizar o episódio como um ato isolado de imperícia por parte do funcionário, que não possuía treinamento técnico para lidar com produtos químicos industriais. Imagens de segurança corroboram que o homem utilizou um balde para fazer a mistura e chegou a cobrir o próprio rosto com a camiseta para evitar a inalação do gás denso que subia do recipiente antes de despejá-lo na água. Para os investigadores, o depoimento dos sócios levanta questões sobre a supervisão do local, uma vez que um funcionário de outra função estava executando uma tarefa de alta periculosidade durante o horário de funcionamento e na presença de alunos.
A perícia técnica do Instituto de Criminalística trabalha com a confirmação de que a mistura indevida de cloro concentrado com outros reagentes ou mesmo com uma quantidade insuficiente de água no balde liberou gás cloro, uma substância altamente volátil e letal em ambientes fechados. O depoimento dos sócios também foi confrontado com o fato de a academia não possuir alvará de funcionamento nem os protocolos de segurança exigidos pelo Corpo de Bombeiros. A polícia investiga se a contratação de pessoal não qualificado para a manutenção era uma prática recorrente da administração para reduzir custos operacionais, o que configuraria negligência administrativa grave.
A família de Juliana Bassetto, por meio de seus advogados, rebateu a versão dos proprietários, afirmando que a responsabilidade pela segurança dos alunos é objetiva e cabe aos donos do estabelecimento. Eles argumentam que permitir que um manobrista tenha acesso livre a produtos químicos e realize a manutenção da piscina em horário de aula demonstra uma falha sistêmica na gestão da C4 Gym. O sentimento de revolta aumentou após a revelação de que a academia operava de forma irregular, o que, para os familiares, prova que o acidente não foi uma fatalidade isolada, mas o resultado de uma sucessão de irregularidades ignoradas pelos sócios.
Nos próximos dias, a Polícia Civil deve realizar uma acareação ou novos interrogatórios para determinar se o manobrista agia sob instruções costumeiras da gerência ou se, de fato, agiu por conta própria. O funcionário também será ouvido novamente para apresentar sua versão dos fatos e esclarecer se recebia orientações sobre como tratar a água. Enquanto o inquérito avança, a prefeitura de São Paulo mantém o local interditado e intensifica a fiscalização em unidades esportivas da região, enquanto a justiça avalia o pedido de indiciamento dos sócios por homicídio culposo e lesão corporal de natureza grave.