Pesquisadores vêm investigando se infecções “ocultas” vírus e bactérias que permanecem dormentes e podem ser reativados ajudam a explicar por que muitas pessoas continuam a sentir fadiga, dificuldade de concentração e outros sintomas meses após a infecção por coronavírus. A hipótese ganhou destaque em reportagens recentes e estudos científicos que apontam para sinais de reativação viral e alterações do microbioma intestinal em pacientes com covid longa.
Uma das linhas de investigação mais comentadas envolve a reativação de vírus comuns que ficam latentes no organismo, como o vírus associado à mononucleose (conhecido como EBV). Alguns trabalhos encontraram níveis maiores de marcadores de atividade desse vírus em pessoas com sintomas prolongados, e essas reativações têm sido associadas a fadiga intensa e problemas cognitivos relatados por pacientes. Ainda assim, os autores alertam que correlação não significa comprovação definitiva de causa. News-Medical+1

Outra possibilidade é que o próprio coronavírus deixe depósitos virais ou material genético em tecidos chamados de reservatórios que mantêm o sistema imune em estado de alerta crônico, gerando inflamação persistente e sintomas. Revisões recentes descrevem evidências de RNA viral detectado em amostras de intestino, sangue e outros tecidos meses depois da infecção aguda, o que sustentaria a ideia de persistência viral como uma peça do quebra-cabeça. Ainda assim, a prevalência e a importância clínica desses reservatórios variam entre estudos. MDPI+1
O desequilíbrio da comunidade de micróbios do intestino a chamada disbiose também aparece nas publicações como possível cofator: alterações na flora intestinal após a infecção podem favorecer vazamento de componentes bacterianos para a circulação, inflamar o organismo e manter sintomas. Pesquisas preliminares testando intervenções no microbioma, como probióticos ou transplante fecal, mostraram resultados heterogêneos e ainda não permitem recomendações clínicas amplas. PubMed+1
No atual estágio, a visão predominante entre especialistas é que a covid longa provavelmente resulta de múltiplos mecanismos sobrepostos reativação de agentes latentes, reservatórios virais remanescentes, alterações do microbioma e respostas imunes desreguladas e que a importância relativa de cada um varia de paciente para paciente. Pesquisadores pedem mais estudos controlados, medidas padronizadas e testes clínicos para transformar essas pistas em diagnósticos e tratamentos eficazes. Enquanto isso, equipes médicas recomendam acompanhamento multidisciplinar para pacientes com sintomas persistentes.