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Custo ou descaso? SUS nega novos tratamentos contra obesidade.

23 de agosto de 2025

A obesidade já é considerada uma das maiores crises de saúde do século. No Brasil, atinge três em cada dez adultos e está ligada a mais de 200 doenças que comprometem a qualidade de vida e aumentam custos bilionários para o sistema público. Apesar da gravidade do cenário, pacientes seguem sem acesso a medicamentos pelo SUS o que reforça a desigualdade no tratamento.

Atualmente, seis remédios contra a obesidade têm registro na Anvisa, mas todos estão restritos a quem consegue pagar. No sistema público, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) voltou a negar, neste ano, o uso de liraglutida e semaglutida, dois dos medicamentos de nova geração que mostraram resultados expressivos na redução de peso. O argumento foi o custo elevado.

A decisão se soma a outras negativas: desde 2019, foram cinco recusas da Conitec em incorporar tratamentos para obesidade. O que mais chama atenção é que sequer a sibutramina remédio antigo, de baixo custo, que custa menos de R$ 30 por mês teve seu pedido de inclusão avaliado. A solicitação, feita em dezembro de 2024 por sociedades médicas, segue sem resposta.

As entidades médicas argumentam que a análise de custo-efetividade feita pela Conitec não reflete a realidade. Segundo elas, os cálculos deixam de fora benefícios indiretos da perda de peso, como a redução de internações e de complicações associadas a diabetes, hipertensão e problemas cardíacos. Essa lacuna, afirmam, distorce os resultados e impede a incorporação.

A crítica também vai além da questão técnica. Especialistas alertam que atrelar o acesso a remédios apenas à prevenção em larga escala é uma estratégia equivocada, que na prática mantém os pacientes do SUS sem tratamento. Ao mesmo tempo, políticas de alimentação saudável seguem avançando lentamente: publicidade infantil de ultraprocessados não foi totalmente barrada, e até produtos como macarrão instantâneo ganharam benefícios fiscais, enquanto sucos açucarados ficaram de fora do imposto seletivo.

Para as entidades, a consequência é clara: quem pode pagar tem acesso aos medicamentos mais modernos; quem depende do SUS fica sem assistência. O impacto é ainda maior sobre mulheres negras, periféricas e de baixa renda, o grupo mais afetado pela obesidade nos últimos anos. “É um processo de elitização do tratamento”, dizem as sociedades médicas, reforçando que continuarão a pressionar por mudanças.

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