ÚLTIMAS

Rompimento à Direita: Carol De Toni Abandona o PL após Veto de Valdemar

4 de fevereiro de 2026

A deputada federal Carol De Toni comunicou oficialmente sua saída do Partido Liberal (PL) nesta quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026, após meses de incerteza sobre seu futuro político. O estopim para a desfiliação foi a decisão do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, de priorizar alianças estratégicas em Santa Catarina que inviabilizaram sua candidatura ao Senado. Valdemar reafirmou compromissos com o senador Esperidião Amin (PP) e selou o apoio à pré-candidatura de Carlos Bolsonaro, que transferiu seu domicílio eleitoral para o estado, deixando a atual presidente da CCJ sem espaço na chapa majoritária do partido.

A deputada federal Caroline de Toni (PL-SC) durante sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) desta quarta-feira (6) • 06/03/2024 – Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A saída de De Toni representa uma perda significativa para o PL, uma vez que ela é considerada uma das vozes mais influentes da ala “bolsonarista raiz” e detém forte capital político em Santa Catarina. Durante o dia, interlocutores da deputada confirmaram que o sentimento é de que ela foi “preterida” em favor de acordos nacionais do Centrão e do projeto pessoal da família Bolsonaro. A parlamentar já vinha dando sinais de insatisfação desde o final de 2025, chegando a declarar publicamente que buscaria outra legenda caso não tivesse garantias de que poderia disputar uma das duas vagas disponíveis para o Senado Federal em 2026.

O destino mais provável da deputada é o Partido Novo, que já havia formalizado convites e mantinha conversas avançadas com a parlamentar. No Novo, Carol De Toni teria o caminho livre para lançar sua candidatura ao Senado, possivelmente em uma chapa que dialogue com o eleitorado conservador catarinense sem as amarras das coligações nacionais do PL. A migração para o Novo é vista por analistas como um movimento estratégico que pode fragmentar o voto da direita no estado, colocando-a em rota de colisão direta com Carlos Bolsonaro e Esperidião Amin na disputa pelas cadeiras de senador.

Internamente, o PL enfrenta agora o desafio de conter o desgaste provocado pela saída de uma liderança feminina de tamanha projeção. O governador Jorginho Mello, que tentava mediar o conflito entre o clã Bolsonaro e a deputada, viu seu esforço fracassar diante da intransigência da cúpula nacional em Brasília. A saída de De Toni também acende um alerta sobre a coesão da bancada do PL na Câmara, já que outros parlamentares alinhados à deputada podem se sentir desestimulados pela forma como as candidaturas majoritárias estão sendo decididas pelo comando partidário sem consulta às bases regionais.

Com a desfiliação confirmada, Carol De Toni deve focar as próximas semanas na estruturação de sua nova casa política e na consolidação de apoios entre prefeitos e vereadores catarinenses que já sinalizaram lealdade ao seu projeto. O “ano da entrega”, como o governo federal batizou 2026, começa para a deputada com uma guinada em sua carreira, trocando a maior legenda do país por um partido menor, mas que lhe oferece a autonomia desejada para enfrentar as urnas. O anúncio oficial da nova filiação deve ocorrer em um evento em Chapecó, seu principal reduto eleitoral, marcando o início de uma das campanhas mais competitivas da região Sul.

Carol de Toni deve disputar o Senado pelo Novo

Este vídeo detalha os bastidores da crise interna no PL e como a ascensão de Carlos Bolsonaro em Santa Catarina forçou a saída da deputada Carol De Toni.

Rolar para cima