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STRANGER THINGS 5ª TEMPORADA VOLUME 2: Entre a Nostalgia Cansada e o Gigantismo Vazio.

26 de dezembro de 2025

A quinta temporada de Stranger Things chegou com a promessa de caminhada para uma conclusão épica, foi amplamente mostrado no Volume 1, no entanto, o Volume 2 da quinta temporada entrega uma experiência que, embora visualmente deslumbrante, naufraga sob o peso de suas próprias ambições e de um roteiro que parece ter medo.

O maior erro é a sua extensão injustificada,  o segundo volume sofre de um “gigantismo” que não se traduz em substância, pelo contrário, geram barrigas irritantes e momentos que deveriam ser tensos são diluídos em diálogos enfadonhos e núcleos que pouco acrescentam à resolução do conflito central.

A urgência do apocalipse em Hawkins é frequentemente interrompida por pausas dramáticas que beiram o dramalhão mexicano, quebrando a imersão do espectador.

Talvez a crítica mais severa recaia sobre a covardia do roteiro em relação ao seu elenco principal, em uma temporada que se propunha a ser uma “guerra total”, a manutenção do status quo de quase todos os personagens centrais retira o peso emocional da ameaça de Vecna.

A série estabelece vários riscos altíssimos, mas recua no último segundo, utilizando soluções pífias e rasas para salvar favoritos do público, sem perdas reais e significativas no núcleo original, a sensação de perigo torna-se artificial, transformando o Mundo Invertido em um parque de diversões perigoso, mas nunca fatal.

A fragmentação da equipe, que funcionou bem em temporadas anteriores, aqui soa como uma estratégia para “dar o que fazer” a atores cujos arcos ninguém se importa, personagens como Jonathan e Mike parecem flutuar na história sem um propósito claro, servindo apenas como suporte emocional para outros personagens, um desperdício de potencial.

Personagens novos ou secundários que foram introduzidos com pompa acabam reduzidos a funções meramente funcionais, sem o desenvolvimento que justificasse o tempo de tela investido neles.

A nostalgia, que antes era o charme da série, agora parece uma muleta para mascarar a falta de ideias genuinamente novas para o desfecho, falando em ideias novas, a declaração final de Will Beyers sobre sua sexualidade para familiares e amigos marca a cereja do bolo da linha de inutilidades fora de contexto que marcaram esse volume.

Não exprime o contexto de preconceito severo e enraizado contra homossexuais que permeava constantemente os anos 80, uma vez que em nenhum momento esse assunto foi abordado em toda a série, nenhum de seus amigos e familiares, mesmo os que já sabiam ou desconfiavam de suas escolhas sequer manifestaram qualquer tipo de repreensão.

Não tendo esse ambiente hostil, também cai por terra a narrativa que esse seria o pavor de Will sendo controlado por Vecna e que retraiu seus “poderes” por tanto tempo, a cena apenas cumpriu uma função, pagar pedágio ideológico.

O Volume 2 é um espetáculo visual de primeira grandeza, mas falha como peça de dramaturgia ao priorizar a segurança narrativa em vez de uma conclusão corajosa e coerente, Hawkins merecia uma caminhada para o último episódio um com mais cicatrizes e menos conveniências.

Nota 1.5/5

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