Nesta quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou ao Senado a criação de um “mecanismo de curto prazo” para financiar serviços essenciais na Venezuela. O plano utiliza recursos obtidos com a venda de petróleo venezuelano, que estão retidos em contas sob custódia do Tesouro americano desde a captura de Nicolás Maduro no início do mês. Segundo Rubio, os valores serão liberados gradualmente para garantir o funcionamento de setores vitais, como o policiamento local, o saneamento básico e a manutenção da infraestrutura urbana, sob supervisão direta de Washington.

A estratégia faz parte do plano de três fases (estabilização, recuperação e transição) detalhado pelo governo Trump para o país sul-americano. Rubio destacou que o objetivo imediato é evitar um colapso social e garantir que o aparato governamental mínimo continue operando. Para isso, os Estados Unidos assumiram o controle da comercialização de cerca de 50 milhões de barris de óleo bruto que estavam bloqueados por sanções, revertendo o lucro dessa operação para o custeio de necessidades básicas da população venezuelana, em vez de permitir que o capital circule livremente entre grupos políticos locais.
Um ponto central do acordo firmado com o governo interino, liderado por Delcy Rodríguez, envolve a exclusividade comercial com os Estados Unidos. Rubio afirmou que a liderança provisória se comprometeu a adquirir medicamentos, insumos hospitalares e equipamentos para a rede elétrica “diretamente de empresas americanas”. Essa medida é vista como uma forma de garantir a qualidade dos produtos e, simultaneamente, beneficiar a indústria dos EUA, estabelecendo o país como o principal parceiro econômico da Venezuela durante este período de transição política e econômica.
A postura de Rubio no Senado também serviu como um aviso para a nova gestão em Caracas. O Secretário de Estado alertou que o apoio financeiro e a legitimidade do governo interino dependem da “cooperação máxima” com as metas de Washington, que incluem a abertura total do setor de energia a companhias americanas e o combate rigoroso ao narcotráfico. Embora tenha negado que os EUA pretendam ocupar o país permanentemente, Rubio ressaltou que a administração Trump está disposta a utilizar “todas as ferramentas de pressão”, inclusive o uso da força, caso o governo interino se desvie das diretrizes estabelecidas.
Este novo modelo de gestão financeira e diplomática redesenha a influência dos Estados Unidos na América Latina em 2026. Ao transformar a receita do petróleo em um fundo de assistência controlado, Washington exerce um poder de influência sem precedentes sobre a política interna venezuelana. O desfecho dessa intervenção econômica será monitorado de perto por outros países da região, enquanto o mercado internacional de commodities observa como a reintegração do petróleo venezuelano, sob as novas regras americanas, afetará os preços e a estabilidade global nos próximos meses.