Nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, o Banco Central oficializou a liquidação extrajudicial da gestora de recursos Reag (que recentemente operava sob o nome CBSF). A medida extrema foi tomada apenas um dia após a Polícia Federal realizar buscas em endereços ligados ao fundador da empresa, João Carlos Mansur, durante a segunda fase da Operação Compliance Zero. A autoridade monetária justificou a decisão citando graves violações às normas do sistema financeiro, paralisando imediatamente as operações da instituição para proteger investidores e o mercado.

As investigações apontam que a Reag desempenhou um papel central em um esquema de fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master, que também se encontra sob intervenção. Segundo a Polícia Federal, a gestora era utilizada para inflar artificialmente o patrimônio do banco por meio de fundos de investimento, criando uma espécie de “ciranda financeira”. Além disso, há suspeitas de que recursos eram desviados para o patrimônio pessoal de executivos e seus familiares, totalizando bloqueios de bens que já superam a marca de R$ 5,7 bilhões por determinação da Justiça.
O histórico recente da gestora já acumulava polêmicas antes desta nova ofensiva. Em 2025, a empresa foi alvo da Operação Carbono Oculto, que apurou o uso de fundos de investimento para lavagem de dinheiro proveniente de fraudes no setor de combustíveis, com supostas ligações com o crime organizado. Naquela ocasião, a empresa negou qualquer irregularidade e trocou seu nome comercial em uma tentativa de desvincular sua imagem dos escândalos, mas a continuidade das investigações da PF revelou que as práticas ilícitas persistiam.
Com a liquidação decretada, os bens dos controladores e ex-administradores da Reag foram bloqueados para garantir o pagamento de credores. Embora a instituição financeira deixe de operar, os fundos de investimento que estavam sob sua guarda não são extintos automaticamente, mas devem ser transferidos para novos administradores em um processo coordenado pelo liquidante nomeado pelo Banco Central. A Reag era uma das maiores do setor, chegando a administrar mais de R$ 350 bilhões em ativos no final do ano passado.
O desfecho do caso Reag e sua conexão com o Banco Master representam um dos maiores abalos no mercado financeiro brasileiro desta década. O cenário atual exige que os investidores fiquem atentos à migração de seus recursos para outras instituições e acompanhem os próximos desdobramentos judiciais. Enquanto isso, o Banco Central e a Polícia Federal seguem monitorando outras empresas que faziam parte da rede de negócios do grupo para evitar novos danos à estabilidade econômica do país.