A União Europeia e as principais potências do continente formalizaram, nesta primeira semana de janeiro de 2026, um bloqueio diplomático contra as recentes intenções de Washington de anexar a Groenlândia. Em uma declaração conjunta liderada por França e Alemanha, o bloco reafirmou que o território é uma unidade autônoma sob soberania dinamarquesa e que qualquer tentativa de alteração de seu status político sem o consentimento dos groenlandeses é inaceitável. O posicionamento europeu surge como uma resposta direta às falas da Casa Branca, que classificou a ilha como “vital para a segurança nacional” americana diante da crescente presença de navios russos e chineses no Ártico.

A tensão escalou após o governo dos Estados Unidos sugerir que poderia considerar o uso de força militar ou pressão econômica extrema para garantir o controle da região, mencionando um prazo de 20 dias para avançar nas discussões. Em resposta, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, e o premiê da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, classificaram a ideia de “compra” ou “tomada” do território como absurda e anacrônica. Líderes europeus alertaram que um movimento hostil contra um aliado da OTAN poderia significar o colapso definitivo da aliança militar transatlântica, expondo uma fragilidade diplomática sem precedentes entre as potências ocidentais.
Especialistas em geopolítica apontam que o interesse americano é impulsionado pelo degelo das calotas polares, que abriu novas rotas comerciais e facilitou o acesso a vastas reservas de minerais de terras raras, fundamentais para a indústria de alta tecnologia. No entanto, a União Europeia reiterou que a segurança no Ártico deve ser alcançada coletivamente, respeitando a integridade territorial e o direito internacional. O bloco destacou que a Groenlândia já contribui para a defesa ocidental por meio da Base Espacial de Pituffik, e que a cooperação econômica e de defesa não deve ser confundida com submissão territorial.
Enquanto a diplomacia europeia cerra fileiras em torno de Copenhague, Washington mantém a retórica de que a Dinamarca não possui capacidade de defesa suficiente para proteger a ilha de adversários globais. Um enviado especial dos EUA foi designado para tratar do assunto com autoridades dinamarquesas na próxima semana, mas o clima para as conversas é de hostilidade. No Brasil e em outras partes do mundo, o debate repercute como um sinal de retorno a políticas de expansão territorial do século XIX, gerando preocupação sobre a estabilidade das fronteiras globais no novo ano que se inicia.
A resistência groenlandesa é vista como o principal entrave para os planos americanos, uma vez que a ilha possui autogoverno desde 1979 e total autonomia sobre seus recursos naturais. O governo local afirma estar aberto a investimentos e parcerias comerciais com diversos países, incluindo os EUA, mas nega qualquer possibilidade de venda da soberania. A crise atual coloca à prova a resiliência das instituições internacionais e a capacidade de diálogo entre parceiros históricos, em um momento em que a disputa por recursos estratégicos redefine as prioridades das grandes nações.