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Mãe perde a guarda da filha recém-nascida uma hora após o parto.

26 de agosto de 2025

Uma jovem de 18 anos, natural de Nuuk, capital da Groenlândia, teve a guarda de sua filha recém-nascida retirada apenas uma hora após o parto em um hospital dinamarquês. A decisão das autoridades locais foi baseada na reprovação em um teste psicométrico conhecido como FKU, usado para avaliar a capacidade de pais cuidarem de seus filhos.

O caso ganhou enorme repercussão pública e gerou protestos tanto na Groenlândia quanto em outros países, levantando críticas sobre práticas discriminatórias e a relação de dependência política entre os dois territórios.

A jovem, ex-atleta da seleção de handebol da Groenlândia, contou que viveu toda a gravidez com receio da separação. Três semanas antes do parto, foi informada oficialmente de que o bebê seria retirado assim que nascesse.

Desde o procedimento, ela só pôde ver a filha uma vez, durante uma hora, sem permissão para segurá-la ou trocar a fralda.

Teste proibido por lei

A situação se tornou ainda mais polêmica porque a legislação dinamarquesa proíbe o uso do teste FKU em pessoas de origem groenlandesa, justamente para evitar vieses culturais e discriminação. No entanto, a prefeitura responsável pelo caso argumentou que a jovem “não seria suficientemente groenlandesa” para ter esse direito assegurado, decisão que intensificou as críticas de especialistas e defensores de direitos humanos.

Diante da pressão, a ministra dos Assuntos Sociais da Dinamarca manifestou preocupação e cobrou explicações formais da prefeitura local. Já a diretora de Crianças e Jovens do município reconheceu falhas no processo, mas, em razão da confidencialidade exigida por lei, não comentou diretamente o caso. Segundo ela, as autoridades buscam agora “a melhor solução possível para a família”.

Na Groenlândia, manifestações tomaram as ruas de Nuuk e chegaram até a sede do governo, exigindo a devolução imediata da criança à mãe. Organizações internacionais de direitos humanos também começaram a acompanhar o caso, apontando risco de violação da Convenção Europeia de Direitos Humanos.

O que pode acontecer a seguir

A família pretende recorrer judicialmente para reverter a decisão. O processo deve incluir novas avaliações sociais e jurídicas, além de negociações políticas entre Groenlândia e Dinamarca.

Enquanto isso, o episódio amplia o debate sobre autonomia cultural dos groenlandeses e os limites da intervenção estatal na relação entre mães e filhos.

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