A aposta no terror sob a ótica canina, que fez de “O Bom Menino” um fenômeno de marketing e redes sociais, infelizmente não se sustenta como uma longa-metragem, o que se anunciava como uma inovação no subgênero de casas mal-assombradas se revela um exercício de paciência com roteiro frágil e que demonstra exaustão antes do final.
A premissa é, de fato, o maior trunfo do filme, contar a história de assombração na antiga casa de campo pela perspectiva do fiel cão Indy, a direção de fotografia, rente ao chão, e o design de som detalhado capturam o mundo sensorial do animal, gerando momentos de genuína tensão e empatia, contudo, essa mesma premissa, por mais charmosa que seja, não consegue preencher de forma satisfatória os seus curtos 72 minutos.
O filme sofre de um problema de escala, a narrativa, focada em Indy farejando, ouvindo sons e reagindo ao comportamento errático de seu tutor, Todd, seria muito mais eficaz e concisa em formato de curta ou média-metragem.

Há uma repetição exaustiva de cenas que, embora tecnicamente bem executadas, expõem a superficialidade do roteiro, o filme perde a coragem de ir até o fim no desenvolvimento de eixos temáticos relevantes, o resultado é uma experiência que, apesar da curta duração, parece se arrastar e se tornar pesadamente monótona.
Para o gênero de terror, o filme tem limitações notáveis na escalada de seu horror, ao invés de investir em um medo físico ou psicológico mais profundo, “O Bom Menino” baseia-se em sustos por proximidade e na tensão gerada pela ambiguidade do que Indy realmente vê.

É quando a obra precisa se tornar mais explícita. Os efeitos visuais (práticos e digitais) para as criaturas não são convincentes, beirando o trash e falhando em entregar o terror prometido.
A perspectiva de Indy (o cachorro é bom, não nego) garante o envolvimento emocional, mas o filme não inova nos aspectos de terror em si, me permitam dizer que até a ideia não é tão original assim, pois “Coragem – O cão Covarde” assume o protagonismo de originalidade de um cão combatendo o sobrenatural.
É, no fundo, uma história básica de casa assombrada com uma reviravolta previsível, apenas contada com um filtro canino, em suma, “O Bom Menino” é uma joia indie com um conceito contemporâneo de “Bruxa de Blair” que merece ser visto pela performance de Indy, mas que carece de substância narrativa para sustentar seu formato, É um filme que, apesar de sua força no apelo emocional da lealdade canina, deixa o gosto amargo de “poderia ter sido um grande filme” se o diretor e roteirista tivessem confiado mais na profundidade da sua premissa e menos no artifício do ponto de vista.
Nota 0/5