Salas exclusivas, embarque acelerado e tratamento diferenciado em um dos aeroportos mais movimentados do país. É isso que alguns dos principais órgãos públicos federais garantem para seus servidores e autoridades em Brasília a um custo que chega a, pelo menos, R$ 3,7 milhões anuais.
Os espaços, usados por poucas horas antes de voos ou após desembarques, funcionam como áreas reservadas para reuniões rápidas, espera privativa e acesso a serviços de “fast pass”, que aceleram a inspeção de segurança e encurtam o tempo até o portão de embarque. No mundo corporativo, esse tipo de regalia costuma estar atrelada a cartões de crédito premium e programas de fidelidade. No serviço público, é bancada pelo orçamento da União.

Entre os órgãos com contratos ativos estão o Senado Federal, a Câmara dos Deputados e o Supremo Tribunal Federal (STF), além de outras instituições que também utilizam as salas e o passe rápido como extensão de seus privilégios fora do gabinete.
A concessionária Inframerica, responsável pela administração do aeroporto, foi questionada sobre os valores dos aluguéis e serviços. A resposta foi curta: não comenta “contratos comerciais”.
Os espaços reservados para autoridades diferem das tradicionais salas VIP abertas ao público mediante pagamento ou benefícios de fidelidade. Aqui, o acesso é exclusivo e mantido com recursos públicos, ampliando o debate sobre privilégios em tempos de ajuste fiscal e cobrança por mais eficiência no gasto da máquina.
O contraste é evidente: enquanto a maioria dos passageiros enfrenta filas e longas esperas, representantes do poder público atravessam corredores exclusivos, com salas reservadas e embarque sem filas um retrato simbólico de como o Brasil ainda separa os que mandam dos que esperam.