Nesta sexta-feira (6 de fevereiro de 2026), a Polícia Federal (PF) divulgou imagens detalhadas e um laudo pericial sobre as condições da custódia do ex-presidente Jair Bolsonaro no 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como “Papudinha”, em Brasília. O documento, enviado ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do STF, conclui que o ambiente é plenamente compatível com o tratamento das comorbidades do ex-mandatário. Com quase 65 m², o espaço supera em tamanho muitos apartamentos populares, oferecendo uma infraestrutura considerada “absolutamente excepcional” para os padrões do sistema penitenciário brasileiro.
Veja como é a cela de Bolsonaro na Papudinha
A Estrutura da “Sala de Estado-Maior”
Diferente das celas comuns, a instalação onde Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses (pela condenação por tentativa de golpe) foi estruturada para garantir segurança e conforto, dadas as prerrogativas de ex-chefe de Estado. A configuração inclui:
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Quarto e Sala: Espaço amplo equipado com cama de casal, TV e armários embutidos.
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Cozinha e Lavanderia: Área privativa com geladeira, pia, filtro de água e máquina de lavar.
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Banheiro Privativo: Conta com chuveiro com água quente e barras de apoio para acessibilidade.
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Área Externa: Uma varanda privativa de aproximadamente 10 m² que permite banhos de sol sem contato com outros detentos.
Saúde sob Controle, mas com Alerta
O laudo médico da PF afasta a necessidade imediata de hospitalização ou prisão domiciliar, mas elenca uma série de cuidados contínuos. O relatório confirma que Bolsonaro sofre de hipertensão, apneia do sono grave, obesidade clínica e sequelas de suas cirurgias abdominais passadas. Um ponto de atenção especial destacado pelos peritos foi o risco de queda, após episódios recentes de tontura, o que motivou a recomendação de uma investigação neurológica mais aprofundada e a instalação de campainhas de emergência adicionais na cela.
Rotina e Adaptação
Segundo o documento, Bolsonaro relatou aos peritos uma “boa adaptação” ao novo local, mantendo uma rotina de leitura, conversas com agentes e caminhadas diárias de cerca de 1 km sob escolta. Ele negou a necessidade de acompanhamento psiquiátrico, preferindo o suporte religioso de um pastor. A transferência para a Papudinha, ocorrida em janeiro de 2026, foi uma decisão de Moraes para atender a pedidos da defesa por melhores condições de higiene e espaço para fisioterapia noturna.
Com o laudo em mãos, o ministro Alexandre de Moraes abriu um prazo de cinco dias para que a defesa e a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestem. Os advogados de Bolsonaro devem usar os pontos de “risco de queda” e “sintomas neurológicos” para reiterar o pedido de prisão domiciliar humanitária, enquanto o governo sustenta que as adaptações sugeridas pela PF são suficientes para manter o ex-presidente na unidade militar com total segurança e assistência médica.