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Gestação e Café: Estudos Alerta para Impactos no Metabolismo Infantil

26 de dezembro de 2025

Pesquisas recentes conduzidas por especialistas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) trouxeram novos dados sobre a relação entre o consumo de cafeína por gestantes e a saúde futura dos bebês. O estudo aponta que a substância, presente não apenas no café, mas também em chás, refrigerantes e chocolates, atravessa facilmente a barreira da placenta. Como o organismo do feto ainda não possui maturidade para processar esse composto, os níveis de cafeína no sangue do cordão umbilical podem acabar sendo superiores aos encontrados na própria mãe.

(Nature/Getty Images)

Um dos pontos mais sensíveis destacados pelos cientistas é a mudança drástica no tempo que o corpo leva para eliminar a cafeína durante a gravidez. Enquanto em mulheres não grávidas a substância é processada em poucas horas, no último trimestre da gestação esse período pode chegar a quase 18 horas. Essa permanência prolongada no sistema materno eleva o risco de uma exposição excessiva do bebê, o que tem sido associado a alterações no funcionamento da tireoide e em processos metabólicos essenciais para o desenvolvimento saudável.

Os experimentos indicam que as consequências dessa exposição precoce variam de acordo com o sexo da criança e o momento em que a ingestão ocorre. Para meninos, o período mais crítico parece ser durante a formação no útero, podendo gerar uma tendência maior ao consumo de dietas calóricas e ao ganho de peso na vida adulta. Já para as meninas, a fase de amamentação demonstrou ser um gargalo importante, com indícios de que o consumo materno elevado pode favorecer a intolerância à glicose e a obesidade futuramente.

Além dos riscos metabólicos de longo prazo, o consumo excessivo superior a três ou quatro xícaras diárias  está diretamente ligado a problemas imediatos na gestação. Dados mostram que doses elevadas de cafeína podem aumentar em até 31% as chances de perda gestacional precoce. Por essa razão, especialistas reforçam que a moderação é a melhor estratégia, recomendando que as futuras mães fiquem atentas não só à xícara de café matinal, mas ao acúmulo de diferentes fontes de cafeína ao longo do dia.

Embora o café possua benefícios conhecidos para adultos, como propriedades antioxidantes e proteção contra doenças degenerativas, o contexto da gravidez exige um cuidado redobrado. O entendimento de que o “bico do café” não é inofensivo para o feto ajuda a promover escolhas mais seguras durante os nove meses e no período de lactação. O objetivo final é garantir que o ambiente de desenvolvimento do bebê seja o mais equilibrado possível, evitando sobrecargas hormonais que possam comprometer a saúde na maturidade.

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