O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes já definiu um possível destino para Jair Bolsonaro caso ele seja condenado no chamado inquérito do golpe: a Papuda, em Brasília. A informação é do colunista Igor Gadelha, do Metrópoles.

Segundo fontes ouvidas por Gadelha, a ideia de Moraes é que o ex-presidente cumpra pena em cela especial, em uma espécie de “ala reservada” para investigados e condenados do 8 de janeiro. Assim, Bolsonaro não ficaria em instalações militares nem em dependências da Polícia Federal, como ocorreu com outros ex-presidentes em situações semelhantes.
Atualmente, Bolsonaro cumpre medida cautelar em prisão domiciliar, determinada por Moraes. Mas, caso a condenação seja definitiva, essa alternativa deve ser descartada. A lógica é garantir que o ex-presidente esteja no sistema prisional do Distrito Federal, mesmo em condições diferenciadas.
A estratégia também prevê que outros réus do inquérito sejam levados para o mesmo espaço, formando uma “ala golpista” dentro do complexo da Papuda. O modelo lembra o que já ocorreu em casos de delações da Lava Jato, quando setores do presídio foram adaptados para abrigar figuras de maior projeção política.

O possível envio de Bolsonaro à Papuda contrasta com o tratamento dado a outros ex-presidentes: Lula ficou em sala da Polícia Federal em Curitiba, Michel Temer na sede da PF em São Paulo, enquanto Fernando Collor chegou a iniciar sua pena em presídio comum antes de ir para prisão domiciliar.
A medida, se confirmada, terá impacto simbólico e político: a Papuda é o presídio mais conhecido do país, marcado pela superlotação, mas também pela existência de alas especiais para presos de maior repercussão.