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O Lado Sombrio da Natureza: “Primata” Transforma o Doméstico em Terror Visceral

26 de janeiro de 2026

O terror animal sempre encontrou terreno fértil no medo do incontrolável, de Tubarão a 47 Metros Baixo, o gênero prospera ao colocar humanos em desvantagem contra predadores naturais.

Em Primata (2026), o diretor Johannes Roberts (conhecido pela franquia 47 Metros Baixo) decide trazer a ameaça para dentro de casa, subvertendo o conceito de “membro da família” ao transformar um chimpanzé de estimação em uma máquina de matar implacável.

A trama acompanha Lucy (Johnny Sequoyah), uma jovem universitária que retorna à sua casa isolada no Havaí para passar férias com o pai, Adam (Troy Kotsur), e a irmã mais nova, o centro afetivo da casa é Ben, um chimpanzé resgatado pela falecida mãe da protagonista e que se comunica através de linguagem de sinais.

A tensão explode quando Lucy decide dar uma festa na piscina durante a ausência do pai, o  que deveria ser uma noite de diversão juvenil se torna um banho de sangue quando Ben contrai raiva após ser mordido por um animal silvestre, infectado e movido por uma fúria cega, o primata transforma a residência moderna em uma armadilha mortal.

O filme não economiza na brutalidade, diferente de produções que utilizam computação gráfica exagerada, Primata aposta em uma mistura de efeitos práticos e performance física (com Miguel Torres Umba sob a pele do animal), o que confere a Ben uma presença física aterrorizante.

O filme se comporta como um slasher tradicional, mas o “assassino” não é um psicopata mascarado, e sim um animal que, momentos antes, era amado pelos protagonistas.

A participação de Troy Kotsur (vencedor do Oscar por No Ritmo do Coração) traz uma camada interessante de vulnerabilidade e comunicação, embora o roteiro priorize o choque e a adrenalina em detrimento de um desenvolvimento dramático mais profundo, por momentos você se desprende da trama que retorna logo em seguida.

As cenas de morte são inventivas e extremamente sangrentas, remetendo aos filmes de terror de baixo orçamento dos anos 90.

Primata não tenta reinventar a roda ou oferecer metáforas sociais complexas, sua proposta é honesta e direta: um exercício de tensão claustrofóbica com 89 minutos de duração que mantém o espectador na ponta da poltrona.

É um prato cheio para fãs de gore e para quem busca um entretenimento visceral, provando que, às vezes, o maior perigo é aquele que deixamos entrar em nossa sala de estar.

Nota 2.5/5

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